Felício Ramuth chama Governo de SP de “tecnocrata” e cobra uma postura mais política de João Doria
“Um governo estadual longe das pessoas”, desabafou o prefeito de São José em nota à imprensa


Desde o regresso de São José dos Campos para a fase laranja no Plano São Paulo por decisão judicial, o prefeito da cidade Felicio Ramuth (PSDB), que havia decretado a fase amarela, tem acusado mais uma vez o governo João Doria de estar administrando a flexibilização de atividades econômicas nos municípios durante a pandemia, de forma equivocada, sem levar em conta a realidade de cada lugar.
Em uma nota oficial divulgada à imprensa neste domingo (2), Felício fez um desabafo. Veja o que ele disse, na íntegra:
“No início da gestão do governador de São Paulo, João Doria, já existiam leves sinais de que seu governo seria tecnocrata, ou seja, uma gestão dominada pelos técnicos e não pela política. O próprio governador durante sua campanha deixava claro que não era um político e sim um gestor, rechaçando a boa política como forma de governar.
Com o surgimento da pandemia do novo coronavírus, as faces tecnocratas do governo estadual começaram a se intensificar e ficar mais expostas, passamos a conhecer nas incontáveis coletivas de imprensa, um a um os nomes dos tecnocratas que passariam a comandar as políticas de enfrentamento à pandemia em nosso Estado.
Nomes com excelentes currículos e pessoas de bem, mas que, infelizmente, tomam suas decisões no conforto do ar condicionado do Palácio dos Bandeirantes ou em home office em suas casas na frente de computadores e sistemas de vídeoconferência dos mais modernos do mundo, mas distantes, muito distantes das cidades e das ruas do nosso Estado.
Como resultado da política equivocada, baseada única e exclusivamente na palavra dos técnicos, as cidades do Estado agonizam com a perda de vidas e com resultados díspares no enfrentamento da doença e com o cidadão cada dia mais desesperançado em relação ao seu futuro e à sua vida.
A tecnocracia nunca será a solução para um Estado e um País com realidades tão diferentes; reparem que os tecnocratas do governo estadual conhecem pouco da realidade das cidades do interior e tem seus “conceitos” forjados em capitais ou grandes centros mundiais de excelência.
Ao meu ver, a nossa missão como prefeitos e prefeitas neste momento de crise é intensificar a boa política, mesmo “amarrados” e impedidos de agir por decretos estaduais elaborados pelos tecnocratas que não permitem a nós fazermos aquilo que sabemos, ou seja, cuidar de nossa cidade com pessoas que conhecem a realidade local.
Nos resta então insistir com a BOA POLÍTICA, a única forma de transformar a vida das pessoas de nossas cidades e ainda enfrentarmos essa pandemia. Fazendo a BOA POLÍTICA olho no olho, com a conversa franca, a sensibilidade social e, claro, escutando a opinião de nossos especialistas que conhecem a realidade local.
Lamento que um homem honesto e trabalhador como nosso governador tenha optado pela tecnocracia para gerir nosso Estado, mas quem sabe Deus o Ilumine e ele perceba que só construiremos um Estado e um País melhor com equilíbrio entre a BOA POLÍTICA e a ciência”, finalizou.
O Portal Meon entrou em contato com a assessoria de imprensa do Governo do Estado, mas por enquanto não houve um posicionamento sobre a nota divulgada por Felício Ramuth.
Uma comitiva de Prefeitos da Associação de Municípios do Vale do Paraíba,(CODIVAP) chegou a se reunir na semana passada, com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional Marco Vinholi, em São Paulo, para debater a situação das cidades da RMVale, mas não houve avanço. O governo estadual manteve a posição das cidades na fase laranja, e descartou falhas na avaliação técnica de dados, que teriam sido apontadas pelo prefeito de São José, como justificativa para o avanço na classificação.
Fase amarela é barrada na justiça
A prefeitura de São José decretou a fase amarela a partir do dia 28 de julho, permitindo a reabertura de bares, restaurantes, praças de alimentação, salões e academias, sem o consentimento do Estado. Alguns estabelecimentos, chegaram a abrir as portas, com restrições de horário e de capacidade, além do cumprimento de regras de higiene para evitar contaminação por Covid-19. Mas a medida durou apenas três dias.
A decisão liminar expedida pela juíza Laís Helena Jardim, determinou que a prefeitura divulgasse a informação na internet, sob pena de multa de R$ 50 mil, por dia em caso de descumprimento da ordem.
A prefeitura recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado no sábado (1), para tentar reverter a decisão e ainda aguarda um parecer judicial, que deve sair no começo desta semana.
Queda de braço com a justiça
Esta não a primeira vez que Felício perde na justiça, uma “disputa” com o Governo do Estado para reabrir setores econômicos na cidade. A primeira delas foi ainda no final do mês de abril, quando tentava reabrir o comércio e outros setores na cidade que só foram reabertos no começo do mês de junho, após a criação do Plano SP. Desde então, foram muitas as divergências quanto à flexibilização das atividades, sem um consenso entre o Município e o Estado.
Nas redes sociais, o prefeito ressalta ainda a atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que suspendeu no dia 31 de julho, a decisão que havia obrigado os municípios de Cuiabá e Várzea Grande em Mato Grosso, a seguirem o decreto estadual que estipulou quais medidas deveriam ser adotadas para frear a disseminação do coronavírus.
Em uma postagem no Facebook, Felício escreveu: “Espero que a Juíza Laís Helena tenha a mesma humildade e reconheça seu erro, inclusive quando usou decisão do próprio ministro para impedir a fase amarela em São José dos Campos”.
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