Festival de Marchinhas une gerações e dá a largada para Carnaval luizense
Evento reúne 20 composições; programação tem início na sexta (8)


Evento esquenta os motores para o Carnaval 2016
Lucas Lacaz/Divulgação
Faltando exatamente um mês para o Carnaval, São Luiz do Paraitinga está em clima de festa. Nesta sexta-feira (8), começa o Festival de Marchinhas da cidade e os músicos já esquentam os trombones nos ensaios abertos que acontecem de segunda à sexta no centro histórico. Em sua 31ª edição, o festival fomenta a tradição e coloca no mesmo balaio lendas do Carnaval luizense com compositores da nova geração.
Neste ano, das 50 músicas inscritas, 20 foram selecionadas em audição aberta ao público. O festival acontece em três finais de semana seguidos, com a grande final marcada para dia 23. As apresentações acontecem sempre aos sábados. Dez canções são defendidas no dia 9 e outras dez no dia 16. As classificadas se apresentam na final. As sextas-feiras ficam reservadas para serestas de antigos Carnavais.
A dupla Wellington Ismail e Jean Campos, que levou o título em 2015 com “Arriba, Paraitinga”, volta neste ano com a composição “Filhos de Matusalém”. De acordo com Ismail, que tem apenas 22 anos, melhor ainda do que a vitória é arrumar um lugar na trupe de compositores consagrados da cidade.

“Arriba, Paraitinga” levou em 2015
Reprodução/Facebook
“Nossa, é uma honra você estar ali, junto com uns caras que já têm mais de 200 marchinhas no currículo. Essa troca é a coisa mais legal do festival. E o bom é que esses compositores mais experientes respeitam nosso jeito de fazer marchinha, não ficam com saudosismo, há bastante apoio e isso é gratificante pra nós que estamos começando”, explica.
Histórico
Um desses artistas com mais de 200 composições na carreira é o luizense Galvão Frade, um dos criadores do festival que teve início em 1984. Na época, a festa de rua de São Luiz havia retornado há três anos de um jejum de décadas imposto pela famosa lenda de que cresceriam rabos e chifres nos foliões que ousassem brincar o Carnaval.
“Imagina você que de 1981 para 1984 o pessoal já tinha composto mais de 150 marchinhas na cidade. Criamos o festival com o objetivo de incentivar essas composições. O grupo Paranga (um dos mais tradicionais da cidade) estava em evidência e todo mundo aqui queria fazer música. O evento foi um resultado dessa ebulição cultural que a cidade vivia na época”, explica Frade.
De lá pra cá, o festival foi ganhando importância entre os compositores e foi fundamental para diferenciar a marchinha luizense de qualquer outra que é realizada no país. A mistura de gerações e a farta oferta de músicas novas deram às composições novos elementos.
“Não precisa nem ouvir com muita atenção para perceber que em São Luiz as marchinhas têm um pouco de tango, reggae, rock. Têm um tempero diferente daquelas tradicionais, não é uma coisa engessada”, conclui.
Compositor de marchinhas como Juca Teles e Balacobaco, Marco Rio Branco concorda com a necessidade de oxigenação da tradição luizense. De acordo com o artista, que diz esperar todo o Carnaval como se fosse o primeiro, o evento funciona também como uma passagem de bastão para quem está chegando.

Programação tem desfile de blocos
Divulgação
“Eu adoro as composições novas e acho importantíssimo que todo ano a gente tenha essas vinte se apresentando. É a turma que está chegando que leva a tradição pra frente. A gente fica feliz da vida sabendo que há essas mudanças de ideia e que tem gente com muita disposição participando”, explica.
Crescimento
Atualmente o Festival de Marchinhas faz parte de um pacote de atrações que dura todo o dia. Este ano, por exemplo, a programação dos sábados começa às 15h e segue até a madrugada. Antes da apresentação das composições, há desfiles de blocos pela cidade e, depois disso, uma banda anima a plateia no coreto da praça.
A alternativa, de acordo com o secretário de Cultura, Leandro Barbosa, tem como objetivo dar oportunidade aos blocos que não figuram entre os 26 oficiais do Carnaval de rua da cidade. Nos três finais de semana de festival, 18 blocos desfilam pelo centro da cidade. Entre eles alguns tradicionais, que perderam espaço ao longo dos anos. É o caso do Bloco Cobra Grande e do Bloco Cometa Halley.
“A gente parte do princípio de que é preciso dar vez para todo mundo. Por isso os blocos que não estão na programação oficial têm sua oportunidade no Festival de Marchinhas. Transformar esse festival em um evento que dura o dia todo é importante para trazer os turistas à cidade em outras datas que não o Carnaval”, explica Barbosa.
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