Fiocruz inicia estudo para avaliar injeção semestral de prevenção ao HIV

A pesquisa utilizará o lenacapavir

Escrito por: Rubens Baracho2 min de leitura
Reprodução
Reprodução

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) confirmou que dará início a um estudo para avaliar a possível incorporação da injeção semestral de prevenção ao HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa utilizará o lenacapavir, medicamento produzido pelo laboratório Gilead Sciences e já aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

+ Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp

Considerada uma inovação nos métodos de prevenção ao HIV, a injeção é aplicada a cada seis meses, o que reduz de forma significativa a frequência de uso em comparação com estratégias preventivas diárias atualmente disponíveis. As doses do medicamento já foram enviadas ao Brasil pelo fabricante, mas o início das aplicações ainda depende da chegada de agulhas específicas, necessárias para a administração do fármaco.

Estudo em sete cidades

A pesquisa será realizada em sete cidades brasileiras, distribuídas por diferentes regiões do país. No Sul, o estudo acontecerá em Florianópolis (SC). No Sudeste, participam São Paulo e Campinas (SP), além de Rio de Janeiro e Nova Iguaçu (RJ). Também integram o estudo Salvador (BA), no Nordeste, e Manaus (AM), na região Norte.

Nesta fase inicial, o público-alvo será formado por homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. Para participar, os voluntários deverão realizar exames e apresentar resultado negativo para HIV.

Prevenção e expectativa de incorporação

Segundo a Anvisa, o lenacapavir é indicado para adolescentes a partir de 12 anos e adultos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam sob risco de contrair o HIV. A aplicação semestral é vista como uma alternativa relevante para ampliar a adesão à prevenção, especialmente entre públicos que enfrentam dificuldades com o uso contínuo de métodos diários.

Com o estudo, a Fiocruz pretende reunir dados científicos que embasem a avaliação sobre a viabilidade de incorporação da injeção ao SUS. Caso os resultados sejam positivos, o medicamento poderá ampliar as estratégias de prevenção ao HIV na rede pública de saúde e reforçar o combate à transmissão do vírus no Brasil.