Gary Oldman dá vida ao exuberante Churchill
Num mundo dominado por líderes políticos inexpressivos, venais, corruptos ou francamente lunáticos e perigosos, parece haver um certo fascínio pela figura de Winston Churchill (1874-1965), um estadista de verdade. Ele agora é personagem de O Destino de Uma Nação, de Joe Wright, com Gary Oldman perfeito, vencedor do Globo de Ouro pelo papel….


Gary Oldman
Estadão
Num mundo dominado por líderes políticos inexpressivos, venais, corruptos ou francamente lunáticos e perigosos, parece haver um certo fascínio pela figura de Winston Churchill (1874-1965), um estadista de verdade. Ele agora é personagem de O Destino de Uma Nação, de Joe Wright, com Gary Oldman perfeito, vencedor do Globo de Ouro pelo papel.
Não se trata apenas de parecer fisicamente com o personagem, porque esta é uma proeza da maquiagem. Mas falar, andar e gesticular como ele, aparentando aquele misto de força e contradições associado a Churchill, isso sim é uma interpretação. Churchill não foi apenas um grande homem, mas um formidável personagem, com seu inseparável charuto, comilão e beberrão, irascível às vezes, cheio de senso de humor em outras. Extrovertido e presa de depressões incontroláveis, Churchill era cheio de arestas, enigmas e ambiguidades. Coube a Oldman o mérito de haver entendido, até onde isso é possível, esse personagem insondável e emprestar seu corpo e alma para trazê-lo de volta à vida.
É um filme tenso, de punhos cerrados, em que cada palavra e gesto são decisivos. Churchill é visto ditando seus discursos à secretária, em casa com a mulher Clemmie (bela caracterização de Kristin Scott-Thomas), duelando com seus opositores que preferiam tentar um acordo diante da iminente queda da França. Também é visto numa escapada pelo metrô, para sentir como ia o moral do povo inglês àquela altura do campeonato.
O filme, claro, é de Gary Oldman, mas o mérito de Joe Wright não pode ser menosprezado. É de sua responsabilidade manter o fio tenso, naqueles poucos dias em que o destino da guerra esteve por um triz. Mesclar essa eletricidade permanente a momentos de humor e desafogo, que sempre esperamos desse personagem, é uma sabedoria. Como vê-lo enfim em toda a integridade, o único entre os participantes de todo aquele teatro político a estar, de fato, à altura dos desafios daquele tempo de guerra.
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