Go Vegan! Muito mais que uma dieta

Uma ideologia de vida que vem ganhando cada vez mais adeptos

Escrito por: Idelter Xavier7 min de leitura
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“Não se alimentar de animais não é sinônimo de fraqueza”, diz a vegana Maria Luiza

Pedro Ivo Prates/Meon

Cada vez mais se ouve falar dos veganos, pessoas que além de não comerem nenhum tipo de carne, também não consomem ovos e derivados do leite. O que poucos sabem é que o veganismo vai muito além de uma dieta vegetariana, ele é considerado uma cultura, uma verdadeira ideologia de vida.

Os adeptos do veganismo, além de não comerem carne de nenhum tipo ou cor, também não consomem leites, queijos, ovos, mel, banha, manteiga e nenhum outro alimento proveniente de animais. Porém, o estilo de vida vegano não abrange apenas a dieta da pessoa, mas também seu vestuário, os tipos de cosméticos que compra, os produtos de limpeza que utiliza em sua casa e até os locais que frequenta.

Um vegano não utiliza roupas de couro, seda ou lã. Ele não usa nenhum tipo de xampu, sabonete, maquiagem ou produtos de limpeza que sejam testados em animais ou que contenha alguma substância proveniente deles, como a glicerina animal ou cera de abelha. Além disso, não frequenta nem apoia nenhum estabelecimento que utiliza animais como entretenimento, como rodeios, touradas, circos, aquários, zoológicos e outros.

“O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade com animais, seja para alimentação, vestuário ou qualquer outra finalidade”. Essa é a definição dada pela The Vegan Society, instituição que criou o termo ‘Vegan’, fundada em 1944, no Reino Unido.

Para a taubateana Maria Luiza Hirai Simões, técnica em química, de 22 anos, o veganismo é uma realidade em sua vida há seis anos. A escolha aconteceu pouco mais de um ano após se tornar vegetariana, em fevereiro de 2009. “Depois de adotar uma dieta vegetariana, pesquisei muito sobre exploração animal. Assisti muitos documentários, como ‘A Carne é Fraca’, ‘Não Matarás’ e ‘Uma Verdade Mais que Inconveniente’. Depois de ler, ver e escutar alguns amigos, decidi adotar esse estilo de vida”, afirma.

Apesar da dieta alimentar de um vegano ser restrita, Maria afirma que só após virar adepta da ideologia vegana que ela começou a se preocupar de verdade com sua alimentação e que isso teve um impacto positivo em sua saúde e em sua vida de forma geral.

“Além de ter uma vida mais saudável, eu me tornei uma pessoa que gosta de estudar, buscar respostas, entender como funcionam as coisas. Eu digo isso, pois é necessário pesquisar muito e estar sempre atento a novidades sobre nutrição. Na verdade, recomendaria isso a todos, sendo veganos ou onívoros”, diz Maria.

No caso da joseense, designer e instrutora de línguas Carolina Maia de Souza Almeida, de 27 anos, a iniciativa de virar vegetariana começou ainda criança. “Quando criança eu nunca fui muito fã de carne, elas todas pareciam crescer muito na minha boca, como uma esponja, não conseguia mastigar, e vez ou outra acabava cuspindo. Quando eu tinha nove anos minha mãe ainda era vegetariana e foi quando tomei consciência de que ela não comia carne, então resolvi que também não queria mais, com o pretexto de que se ela não comia, não devia ser assim tão importante quanto dizem”, afirma.

“Mas, como toda criança, eu adorava nuggets, hambúrgueres e todas essas ‘porcarias’ a base de carne. Dos nove aos 13 anos comia apenas embutidos e outras coisas do tipo. Aos 13, com uma consciência um pouco melhor em relação a origem da carne, deixei de consumir – como costumo brincar – tudo que tem ou já teve olhos um dia”, diz Carolina.

Apesar de não comer carnes, Carolina afirma que nunca deixou de consumir ovos, leite e seus derivados, como queijo e iogurte, mesmo sabendo que muitas empresas exploram muito os animais no processo de extração dos produtos.

“Nunca fui vegana e nunca tive a intenção de ser. Acho um movimento sensacional, mas não tenho força de vontade o suficiente, ou seja lá como queira chamar, pra isso. Acho até um certo egoísmo da minha parte dizer que não consigo parar de beber leite ou comer queijo, mas não me alimento tão bem e esses alimentos são uma grande fonte de proteínas pra mim, além de gostar bastante. Agora, em relação a produtos, procuro sempre me informar e usar marcas que não testem em animais, não desmatem e toda essa coisa politicamente correta que dou muito valor”, afirma a designer.

Exploração animal
A ideologia vegana considera que as pessoas que decidem apenas não comer mais nenhum tipo de carne, acreditando estar salvando os animais, cometem um grande equívoco. Tendo em vista a grande exploração dos animais na indústria, eles já nascem predestinados à morte, tendo suas energias exaustivamente sugadas por toda a vida.

Uma vaca leiteira, por exemplo, é inseminada artificialmente a sua vida inteira, pois quando não há filhotes não há leite. Os bezerros são levados para longe da mãe logo após o parto e abatidos com três meses de idade, para serem comercializados como ‘baby beef’. Além disso, após oito ou dez anos a vaca é morta pelo simples fato de não render mais tantos litros de leite como uma mais nova.

No caso das galinhas, que naturalmente botam ovos, a exploração é ainda maior. Assim que nascem elas têm seus bicos arrancados sem anestesia, para não se bicarem em casos de extremo estresse, algo que já é previsível que passarão em suas vidas. Previsível, pois elas passam toda sua existência dividindo gaiolas de 0,2 m² com até oito aves dentro, sem poder caminhar ou ver a luz do sol.

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Dieta vegana é saudável, diz especialista

Divulgação

Saúde
A grande dúvida que assola tanto o vegetarianismo como o veganismo é a questão de conseguir manter uma alimentação saudável. Afinal de contas, é possível um vegano levar uma vida com a mesma saúde e disposição de uma pessoa que se alimenta de carne e dos derivados do leite e do ovo?

De acordo com a nutricionista Sheila Maria Costa e Castro, de São José dos Campos, é possível manter uma dieta equilibrada sendo vegano. “De uma maneira geral, a dieta que melhor atende às necessidades humanas é aquela que inclui todos os alimentos naturais. A razão disso é que nossa demanda de nutrientes é muito ampla, requerendo uma maior diversidade de alimentos, para que todos os processos corporais sejam atendidos”, afirma.

“Com planejamento e um adequado conhecimento a respeito das nossas necessidades nutricionais, é perfeitamente possível manter o equilíbrio da dieta, mesmo sem a inclusão de alimentos de origem animal. Os maiores desafios para uma pessoa que decide tornar-se vegana dizem respeito ao conteúdo de proteínas, vitamina B12 e ferro, mas que podem ser superados com alguns cuidados básicos. As carnes, ovos e laticínios, tão citados como ótimas fontes de proteínas, podem ser substituídos por leguminosas, que são os grãos que dão em vagens, como feijão, ervilha, lentilha, soja e grão de bico.”, diz a nutricionista.

Apesar de possível, é sempre importante se informar bem antes de adotar qualquer tipo de dieta. “Adotar uma dieta vegana antes de conhecer as suas peculiaridades, certamente pode trazer prejuízos à saúde. Doenças como anemia por deficiência de ferro ou vitamina B12 e a insuficiente ingestão de proteínas de alto valor biológico, podem abalar a saúde como um todo. Porém, com o necessário conhecimento sobre os alimentos e orientação de um nutricionista, é perfeitamente possível eliminar do cardápio os alimentos de origem animal, mantendo boa saúde por toda a vida”, conclui Sheila.

Com relação à disposição e energia, Maria Luiza deixa bem claro que pratica esportes e leva uma vida muito ativa, como qualquer outra pessoa. “Hoje eu pratico duas modalidades de luta, o muay thai e o kickboxing. Já competi três vezes e levo com orgulho a bandeira vegana. É bom mostrar para as pessoas que não se alimentar de animais e seus derivados não é sinônimo de fraqueza, ao contrário, somos muito mais fortes do que parece”, conclui.

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