Governo Lula vê articulação entre Milei e Trump para favorecer Flávio Bolsonaro
Avaliação no entorno do presidente é que participação do argentino em evento do PL integra estratégia da direita internacional para influenciar as eleições brasileiras

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que existe uma articulação entre o presidente da Argentina, Javier Milei, e o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, com o objetivo de interferir no cenário eleitoral brasileiro e favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Segundo integrantes do governo, a presença de Milei na convenção do PL realizada no sábado (25), em São Paulo, reforçou a percepção de que setores da direita internacional buscam ampliar no Brasil a chamada “onda azul”, associada ao avanço de lideranças conservadoras na América do Sul.
Na avaliação de fontes ligadas ao governo petista, Milei teria atuado no Brasil alinhado aos interesses políticos de Trump. A interpretação é de que a participação do presidente argentino no evento do PL faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação entre lideranças conservadoras da região.
Lula evita confronto direto
Apesar das críticas feitas por Milei, Lula deverá manter uma postura de não responder diretamente ao presidente argentino. Durante a convenção do PL, Milei chamou Lula de “presidiário”. Questionado pela imprensa na segunda-feira (27) sobre as declarações, o presidente brasileiro respondeu com ironia: “Quem é esse cara?”.
A estratégia, segundo integrantes do governo, é semelhante à adotada diante de declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante as discussões envolvendo as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Rubio havia criticado a postura de Lula nas negociações comerciais e afirmado que o presidente brasileiro teria colocado o próprio ego acima das tratativas para um acordo. Na ocasião, a resposta do governo brasileiro partiu do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e não diretamente do presidente.
Itamaraty reage às declarações de Milei
Embora Lula tenha evitado responder pessoalmente, o governo brasileiro adotou medidas diplomáticas após as declarações de Milei.
Mauro Vieira convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as declarações do presidente argentino. O governo brasileiro também chamou de volta a Brasília, para consultas, o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli.
Após retornar ao país, Bitelli se reuniu com o chanceler Mauro Vieira na tarde de segunda-feira (27). O embaixador também teve uma breve conversa com Lula no Itamaraty durante a recepção ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung.
A avaliação dentro do governo é que o episódio deve ser tratado principalmente pela via diplomática, enquanto Lula pretende evitar uma escalada pública de críticas com Milei em meio ao cenário político e eleitoral brasileiro.
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