Grupos no Facebook são rivais de apps de carona no País

Mais de 3 mil grupos na rede social reúnem mais de 2 milhões de pessoas que querem viajar sem gastar muito

Escrito por: Carolina Ingizza4 min de leitura
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Patrick R. é administrador de cerca de 80 grupos de carona no facebook. - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Patrick R. é administrador de cerca de 80 grupos de carona no facebook

Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Os apps de carona vão ter de competir com um adversário inesperado ao chegar ao Brasil: os grupos formados por usuários da rede social Facebook. Eles são a principal plataforma para unir pessoas que vão para o mesmo destino. Segundo fontes consultadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, há pelo menos 2 milhões de pessoas espalhadas em mais de 3 mil grupos de caronas na rede.

Esses grupos fazem sucesso principalmente entre pessoas de até 35 anos que precisam se deslocar de uma cidade para outra. O sucesso do formato se deve à relação custo/benefício das caronas, que são mais baratas e rápidas que uma viagem intermunicipal de ônibus.

O agendamento das viagens é simples no Facebook. Após entrar no grupo que conecta duas cidades, o usuário só precisa fazer uma publicação anunciando que está buscando ou oferecendo uma carona no dia, horário e local que achar melhor. Assim, outras pessoas conseguem usar a busca pra achar viagens compatíveis e negociar o preço.

Para Dante Lopes, administrador de um grupo de 5,3 mil membros entre o trajeto São Paulo e Ribeirão Preto, o mais vantajoso ao usar o Facebook é procurar no grupo por outras caronas daquela pessoa e ver os comentários sobre ela. O empreendedor também acrescenta que é possível buscar informações pessoais – como amigos e interesses – no perfil do viajante, o que pode ser decisivo para pessoas se sentirem seguras antes de uma viagem.

Para administradores dos grupos, o trabalho de manutenção é simples, apesar de não remunerado. “As próprias pessoas denunciam as publicações que fogem do propósito daquele espaço. Eu só recebo a notificação e expulso o autor”, conta Lopes. Já Patrick R. P., que administra 87 grupos de carona no Brasil, conta que só entra duas vezes ao mês para apagar publicidades.

Licenciado em matemática pela Universidade de São Paulo (USP), ele explica que cuida de grupos porque gosta de ajudar as pessoas. E o interesse por criar e manter grupos não é de agora: o estudante já possuía várias comunidades na época do Orkut. “Quando o Facebook começou a aparecer, lá em 2007, eu migrei e resolvi criar grupos para reunir pessoas que procuravam vagas de moradia estudantil.”

Os grupos de carona só vieram mais tarde, em 2012, quando o jovem precisava fazer o trajeto entre São Paulo e Piracicaba. “Como os grupos existentes eram mal organizados, resolvi criar os meus”, relata. Depois do sucesso do primeiro, o piracicabano resolveu mapear as principais rotas do País e criou cerca de 40 grupos.

Em 2014, ele chamou um amigo para ajudá-lo. “Meus grupos de carona já reúnem mais de 127 mil pessoas”, diz o matemático.

Emprego após carona para o Rio

Flávio Kokis nunca pensou em dar carona para algum desconhecido. Em suas próprias palavras, é uma pessoa “quadrada”, conservadora. No entanto, achou interessante a possibilidade de dividir o carro em sua viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro, num trajeto de mais de 430 quilômetros.

Por indicação dos amigos, entrou na plataforma de caronas BlaBlaCar. Em algumas horas, uma notificação apareceu em seu celular: o paulistano Rodrigo Vergara estava interessado na carona. Assim, no dia marcado, se encontraram e partiram rumo ao Rio.

No meio do trajeto, no entanto, a conversa passou das amenidades, como jogos de futebol e animais de estimação, para os negócios: Kokis é presidente executivo da Guide Life, uma empresa do setor financeiro, enquanto Vergara era um jornalista em busca de emprego. A combinação deu certo. Perto da Lagoa, Kokis parou o carro. Antes de Vergara descer e ir embora, ele disse: “Você está contratado. Começa na segunda-feira.”

No dia marcado, se encontraram novamente para uma nova carona rumo à São Paulo – desta vez, em definitivo. Hoje, Rodrigo é responsável pela área de comunicação da Guide Life e Flávio é um adepto da modalidade de caronas.

“O mais legal é a experiência de compartilhar seu carro com uma pessoa diferente”, contou o executivo ao jornal O Estado de S. Paulo. “Já compartilhei meu carro com pessoal da esquerda, direita, em situação financeira diferente. Mas isso é o legal. Ter essa troca de informações e de culturas, que deixam qualquer viagem mais interessante.”

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