Hostel de joseenses em Ubatuba é eleito o melhor da América Latina
Proprietário largou sete anos de advocacia e se encontrou profissionalmente











O The Green Haven Hostel, que fica na praia do Perequê-Açú, em Ubatuba, foi eleito o melhor hostel do Brasil e da América Latina, desbancando estabelecimentos do Rio de Janeiro e de Florianópolis. O prêmio é anunciado sempre no início do ano pela Hostelworld, que é a principal agência de hostels no mundo e responsável por mais de 90% das reservas em hostels em todo o mundo.
“Recebemos essa notícia incrível no dia 7 de janeiro, mas toda a situação teve uma surpresa especial. Quando vimos na nossa página do hostelworld o selo de vencedor do “hoscar” de melhor hostel do Brasil já ficamos muito felizes, porque era por esse prêmio que tanto lutamos e trabalhamos duro em 2014, mas embaixo desse selo tinha outro selo, outro “hoscar” e era o de melhor da América Latina”, conta o proprietário Vinicius Fiore.
Os hostels são avaliados pelos comentários que hóspedes deixam na página do hostelworld após sua estadia terminar e o Green Haven, teve ao longo 2014 uma nota 99%. “Só que a nota não é o único critério para a escolha, também é considerado o número de reservas que recebe durante o ano, número de comentários feitos em ralação às reservas e o mais importante, existem consumidores do hostelworld que são considerados viajantes profissionais e a opinião deles sempre tem um peso maior”, explica Fiore.
Todos os hostels do Brasil e da América Latina estavam na disputa, somente de Ubatuba, por exemplo, eram nove estabelecimentos. “A surpresa e a felicidade foi surreal. Eu e meu irmão e sócio Túlio Fiore, que sempre fomos atletas de rugby e sempre ganhamos tudo dentro de campo pelo nosso clube São José Rugby, sentimos pela primeira vez na vida o êxtase da vitória na vida profissional, a sensação foi tão boa quanto ganhar um campeonato de rugby” diz Fiore.
Além disso, o hostel dos irmãos joseenses foi inaugurado há um ano e oito meses. “Somos de São José, mas temos uma relação muito próxima com Ubatuba. Nós crescemos em Ubatuba, nosso avô teve o primeiro camping de Ubatuba que se chamava Camping do vovô. Sempre que podíamos estávamos nessa cidade com essa natureza espetacular”, conta Fiore que largou a advocacia, exercida por sete anos, para entrar de cabeça no mundo dos hostels.
“Decidimos abrir o hostel depois que eu voltei de Malta fui para lá para jogar rugby semi profissionalmente, recebia alguma coisa do rugby, mas tinha que ter outro trabalho, comecei trabalhando como advogado em uma operadora de turismo, aí um belo dia um cara do nada me convidou para ser gerente do hostel dele em Malta”, diz Fiore.
“No começo achei aquele convite meio estranho até porque não sabia falar inglês direito e o Stoff [meu chefe, amigo e professor] disse que o inglês é o que menos importava para ele, ele queria um gerente com a minha personalidade que parava tudo que estava fazendo para dar atenção e ajudar as pessoas. Entrei de cabeça nesse mundo dos hostels, lá também ganhei alguns prêmios do hostelworld e percebi que eu havia nascido para aquilo”, conta.
“Encontrei meu caminho na vida profissional com quase 30 anos e troquei tudo. Um belo dia a saudade do Brasil bateu muito forte e em uma conversa com meu irmão Túlio Fiore, arquiteto e que também sempre frequentou hostels na vida, decidimos abrir nosso próprio negócio”, completa Fiore.
“Não conseguiria nem um por cento do sucesso que tivemos sem o meu irmão, Tulio Fiore, costumamos dizer que eu sou o cérebro e ele o coração. Toda parte da arquitetura e ambientes do hostel foi pensado por ele. Ele é um arquiteto que mira a arquitetura ecológica, nova tendência nesses tempos”, diz Vinicius.
Um Hostel, ou albergue, como também é conhecido, costuma ter ambientes coletivos por todos os lados como na cozinha, no quarto e na sala, tudo se divide e compartilha. “Em uma comparação como um ambiente bem conhecido pelos brasileiros poderia ser uma república universitária, bem organizada, limpa e cheia de estrangeiros” conta Fiore.
Para Fiore, a principal diferença de um hostel para um hotel está na socialização. “Em um hostel você não fica sozinho enfiado dentro de um quarto de hotel assistindo 200 canais de TV a cabo, as pessoas escolhem hostels justamente para não ficarem sozinhas. A ideia principal de um hostel é essa conhecer pessoas”, diz o joseense, revelando que estrangeiros são a maioria.
“Em uma comparação entre estrangeiros e brasileiros, ao longo do ano recebemos cerca de 85% de turistas estrangeiros em relação a brasileiros, já na alta temporada o número de brasileiros aumenta um pouco e o de estrangeiros diminui para 70%. Nossos hóspedes são geralmente mochileiros com idades em torno de 18 a 35 anos, às vezes recebemos pessoas mais velhas que realmente tem o espírito mochileiro. Não temos limite de idade para cima, mas não recebemos menores de idade”, finaliza.
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