Dia do Cardiologista: prevenção deve começar antes dos primeiros sintomas

Data é celebrada nesta sexta-feira (14); especialistas reforçam a importância do acompanhamento preventivo e do controle dos fatores de risco para proteger a saúde do coração

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
Clinica Vita
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Cuidar da saúde do coração não deve começar apenas quando surgem sintomas como dor no peito, falta de ar ou palpitações. A prevenção cardiovascular precisa fazer parte da rotina e pode começar ainda na infância e na juventude, com a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento de fatores de risco.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, responsáveis por cerca de 17,9 milhões de óbitos por ano. Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento dessas doenças estão hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade, consumo prejudicial de álcool e histórico familiar.

No Dia do Cardiologista, celebrado nesta sexta-feira (14), especialistas reforçam a importância de identificar esses fatores antes que eles provoquem complicações.

Para a cardiologista Dra. Tatiane Emerich, a prevenção deve ser construída ao longo da vida. Segundo ela, doenças como a aterosclerose podem se desenvolver silenciosamente durante anos antes de provocar um infarto ou AVC.

“Cuidar do coração não deve ser encarado como uma tarefa que começa aos 50 ou 60 anos. As doenças cardiovasculares que se manifestam nessa fase geralmente são resultado de processos que se desenvolvem silenciosamente ao longo de muitos anos”, explica.

A especialista destaca que medidas simples, como praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, não fumar, dormir adequadamente e acompanhar pressão arterial, colesterol, glicemia e peso, podem contribuir para a redução do risco cardiovascular.

Sentir-se bem não significa estar livre de riscos

Um dos principais desafios da prevenção é que algumas alterações podem permanecer sem sintomas por muito tempo. Hipertensão e colesterol elevado, por exemplo, podem evoluir silenciosamente.

Por isso, a ausência de dor ou de outros sinais não significa necessariamente que a saúde cardiovascular esteja em dia. A avaliação médica deve considerar fatores como idade, histórico familiar, hábitos de vida e condições preexistentes.

“Em prevenção cardiovascular, consistência é muito mais importante do que perfeição. O coração se beneficia daquilo que conseguimos sustentar: movimentar-se regularmente, praticar atividade física, não fumar, ter uma alimentação equilibrada, dormir adequadamente e cuidar da saúde metabólica”, afirma Dra. Tatiane.

Existe idade certa para começar o check-up?

Para a cardiologista Dra. Bianca Maria Prezepiorski, não existe uma idade única a partir da qual todas as pessoas precisam realizar um check-up cardíaco.

A necessidade de acompanhamento depende principalmente do perfil de risco de cada paciente. Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardiovasculares podem precisar de avaliação mais precoce.

A partir dos 40 anos, a idade passa a ter um peso maior nas estimativas de risco cardiovascular, especialmente quando está associada a outros fatores. Por isso, o acompanhamento médico individualizado se torna ainda mais importante.

“Mais importante do que estabelecer uma idade única é entender o risco cardiovascular daquela pessoa. Um adulto jovem com histórico familiar importante, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade ou que fuma pode precisar de acompanhamento muito antes de alguém mais velho sem os mesmos fatores”, explica Dra. Bianca.

Check-up não significa fazer todos os exames

Outro ponto destacado pela especialista é que uma avaliação cardiológica não significa necessariamente realizar uma bateria de exames.

Eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem são indicados de acordo com a história clínica, sintomas, exame físico e fatores de risco de cada paciente.

“Exame não deve ser pedido simplesmente porque existe. Primeiro avaliamos o paciente, entendemos seus antecedentes e calculamos o risco; depois decidimos se um exame complementar realmente acrescentará uma informação capaz de mudar a conduta”, afirma.

Quem deve ficar mais atento?

Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo ou histórico de tabagismo devem manter acompanhamento regular. O cuidado também é especialmente importante para quem possui histórico familiar de infarto, AVC ou morte súbita, principalmente quando esses eventos ocorreram precocemente.

Além disso, o surgimento de sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar inexplicada, palpitações persistentes, desmaio ou queda significativa da capacidade de realizar esforços merece avaliação médica.

“O erro é esperar o primeiro sintoma para descobrir que havia hipertensão, colesterol muito alto ou diabetes há anos. Muitas dessas condições evoluem silenciosamente. Prevenção é reconhecer esse risco enquanto ainda há tempo de interferir na história natural da doença”, reforça Dra. Bianca.

A prevenção cardiovascular não depende apenas de exames ou consultas. Ela envolve escolhas mantidas ao longo dos anos e o controle dos fatores que podem ser modificados.

No Dia do Cardiologista, a principal mensagem dos especialistas é que cuidar do coração não precisa esperar a chegada dos primeiros sintomas. Conhecer os próprios fatores de risco, manter hábitos saudáveis e buscar acompanhamento médico adequado são atitudes que podem ajudar a prevenir infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares.

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