INPE receberá R$ 45 milhões para financiar projeto espaciais
Instituto apresentou imagens feitas com o CBERS-4, há um ano em órbita


Coordenadores do INPE e diretor apresentaram imagens feitas com o CBERS-4
Adeline Daniele/ Meon
O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) receberá um aporte de 45 milhões de reais da FAPESP e FINEP para desenvolver tecnologias e produtos para aplicações espaciais. O anúncio sobre o edital foi realizado nesta segunda-feira (21) pelo diretor do instituto, Leonel Perondi.
A primeira fase do investimento, com valor de 25 milhões de reais, vale para microempresas, empresas de pequeno porte e pequenas e médias empresas brasileiras, que estejam instaladas no Estado de São Paulo e tenham sido abertas há pelo menos 12 meses antes da abertura do edital. Em sua segunda etapa, a iniciativa contará com mais 20 milhões de reais pelo programa da FAPESP.
No evento, Perondi também comentou os desafios da indústria espacial no país e contou as expectativas do instituto em relação ao crescimento do setor. “Nós queremos atuar internacionalmente e produzir sistemas espaciais de forma autônoma, assim como já fazemos com os aviões”, disse o diretor.
Após o instituto passar cerca de 10 anos trabalhando com várias companhias para a produção dos satélites como o CBERS-4, Perondi afirma que é preciso manter essa capacitação para que esses empreendimentos não percam seu foco no setor espacial. “Não queremos perder toda a capacitação que fizemos nos últimos dez anos”, afirmou. “As empresas que não tiverem demanda no setor irão realocar seus recursos humanos e reutilizar suas infraestruturas para outros esforços, daí a importância de termos mais projetos”.
Um ano de órbita do CBERS-4

Diretor do INPE, Leonel Perondi, explica imagens captadas por satélite
Adeline Daniele/ Meon
Além de falar sobre os investimentos, Perondi e coordenadores do INPE ainda comentaram sobre o primeiro ano do CBERS-4 em órbita. O satélite foi construído por meio de uma parceria entre a China e o Brasil, na qual os dois países alternam o controle do equipamento a cada seis meses
O projeto foi criado para gerar imagens da superfície da Terra usando equipamentos de sensoriamento remoto. As fotos tiradas são da MUX, a primeira câmera para satélite desenvolvida no Brasil capaz de gerar fotografias terrestres de alta resolução. São seis mil pixels por linha e a margem de erro de apenas 60 metros em relação às coordenadas geográficas. “Nós oferecemos novas imagens a cada 24 horas, elas já são processadas por nós e prontas para uso gratuito”, afirmou um dos coordenadores.
As imagens são distribuídas gratuitamente pela internet. A cada cinco dias, o satélite consegue gerar uma imagem completa de todo o Brasil. Entre os destaques captados pela MUX está a cobertura sobre o rompimento das barragens que atingiu a cidade de Mariana, em Minas Gerais, em novembro desse ano. Pesquisadores do INPE chegaram a realizar um estudo sobre o acidente, o qual deve ser divulgado em breve.
Além disso, as imagens capturadas também fazem parte de pesquisas sobre a taxa de desmatamento anual da Amazônia, além do DETER, sistema que detecta em tempo real as alterações na cobertura florestal.
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