Investigadores esperam ampliar lista de Janot por meio de colaborações
Investigadores da Operação Lava Jato contam com a nova prisão do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e com a denúncia contra ele e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para engrossar a lista de suspeitos de envolvimento no esquema de desvios da estatal sob investigação no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A lista de autoridades e pessoas…

Investigadores da Operação Lava Jato contam com a nova prisão do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e com a denúncia contra ele e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para engrossar a lista de suspeitos de envolvimento no esquema de desvios da estatal sob investigação no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A lista de autoridades e pessoas ligadas aos inquéritos abertos na Corte tende a aumentar, conforme pessoas que atuam na operação que completa um ano nesta terça-feira, 17.
Os investigadores esperam que novos personagens se tornem colaboradores da Lava Jato, já que ainda não há acusações formais contra as pessoas arroladas na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na força-tarefa da operação, a brincadeira é que está por vir uma “segunda chamada do vestibular na qual ninguém quer entrar”.
Se Duque, preso na segunda-feira, 16, na 10ª fase da Lava Jato, Vaccari, o lobista Fernando “Baiano” Soares e o ex-diretor da estatal Nestor Cerveró aceitarem dar mais detalhes do esquema, mais políticos podem ser citados. Para a Procuradoria, as diretorias da Petrobras foram “fatiadas” por partidos e as investigações, até agora, avançaram mais na área controlada pelo PP – a de Abastecimento, do ex-diretor Paulo Roberto Costa. A Diretoria de Serviços, chefiada por Duque entre 2003 e 2012, era de indicação do PT, e a Internacional, ocupada por Cerveró, do PMDB. Mesmo nomes que tiveram seus casos arquivados podem reaparecer.
Janot apresentou ao Supremo e ao Superior Tribunal de Justiça pedidos para investigar 54 pessoas, entre senadores, deputados e governadores. Os pedidos foram aceitos pelos ministros Teori Zavascki, do STF, e Luís Felipe Salomão, do STJ, que acataram a solicitação para retirar o sigilo das investigações.
Após a abertura dos inquéritos nos dois tribunais, tem início a fase de diligências, quando são feitas ações adicionais para levantar mais indícios que possam comprovar ou negar os atos criminosos narrados pelos delatores da Lava Jato, o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.
‘Teste’
Junto aos pedidos de inquérito, Janot solicitou oitiva de testemunhas, recolhimento de documentos e eventual quebra de sigilos telefônico e bancário. Cabe à Procuradoria conduzir as diligências de investigação dos políticos citados, com a supervisão dos tribunais. A fase é considerada o “teste de consistência” das delações.
O grupo de procuradores formado em janeiro por Janot para preparar o material encaminhado ao STF segue trabalhando no caso. Para apresentar os pedidos de inquérito, a Procuradoria contou com o trabalho de 12 procuradores, além do próprio Janot. Apesar de a Lava Jato completar um ano hoje, a elaboração do material enviado ao STF e ao STJ começou apenas em 14 de janeiro, quando a Procuradoria foi intimada pelo STF sobre a divisão das delações premiadas em partes – conforme pedido no fim de 2014.
Em pleno recesso, procuradores anteciparam a volta das férias. A primeira reunião informal do grupo de trabalho ocorreu em 16 de janeiro. Foram quase 50 dias de trabalho direto até o material ser enviado ao STF.
‘Couro curtido’
A pressão sobre a Procuradoria, garantem pessoas ligadas à investigação, não influenciou nos trabalhos dos procuradores, que “têm o couro curtido”. O grupo formado por Janot inclui gente de diversas regiões do País, como Sergipe e Bahia. “Aqui eles apanham no jornal. Lá, na padaria”, resume uma fonte ligada ao grupo. A pressão dos parlamentares investigados – e críticas ao Ministério Público – é vista quase como confissão de culpa. “Você sabe por que ele está nervoso? Não. Mas ele sabe”, diz um integrante do Ministério Público.
Na Procuradoria uma corrida contra o tempo foi estimulada por dois fatores: o receio de que ocorresse prescrição em algum dos casos – já que os fatos investigados datam desde o início dos anos 2000 – e a crescente especulação causada pelo sigilo dos depoimentos de Costa e Youssef. O segredo foi imposto em razão das delações.
A complexidade do caso fez a Procuradoria montar o “superinquérito” em que 39 pessoas são investigadas por formação de quadrilha. Desde o início dos trabalhos, Janot quis evitar um “maxiprocesso” para dar celeridade ao andamento do caso, mas a complexa organização do esquema exigiu a reunião de muitos suspeitos em uma só investigação. “Pode sair deste inquérito a história que o Brasil inteiro quer ouvir”, diz um integrante do Ministério Público.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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