Jipão vira modelo feminino

Os jipões estão deixando de ser coisa homem. Cada vez mais, vêm caindo no gosto das mulheres por causa de aspectos como espaço interno, praticidade e a posição elevada de guiar.

Escrito por: Meon Redação6 min de leitura
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Fabíola preza segurança e espaço para as filhas Helena (à esquerda) e Manuela

Rafaela Borges/Estadão

Os jipões estão deixando de ser coisa homem. Cada vez mais, vêm caindo no gosto das mulheres por causa de aspectos como espaço interno, praticidade e a posição elevada de guiar.

Este é um dos principais motivos que as atraem, segundo o consultor da ADK Automotive, Paulo Garbossa. “Nos anos 90, esses veículos eram ‘rudes’, difíceis de guiar. Depois, ganharam características de segmentos como o de peruas, com seus assentos dobráveis e porta-malas espaçosos, e o de minivans, cheias de porta-objetos. Agora, ficaram confortáveis e fáceis de manobrar”, afirma.

A empatia delas pelos utilitários é tamanha que os segmentos de peruas e minivans praticamente deixaram de existir no Brasil.

A empresária da moda Fabíola Mestrich é uma das que se renderam aos jipões. Ex-dona de hatches e sedãs, ela comprou o primeiro utilitário há seis anos, quando a primeira filha, Manuela, nasceu. E não abre mais mão deles – já está no terceiro, um BMW X5.

Seu marido Luciano, em contrapartida, não quer saber de utilitários. Prefere carros baixos, de apelo esportivo.

O jipão de Fabíola também passou a ser usado para transportar os produtos que ela vende no Projeto Brechó Chique, sua página na internet. “Não conseguiria ter um sedã de novo”, diz ela. “Minha família cresceu, há muita bagagem em viagens e sempre três pessoas atrás (Manuela, a caçula Helena e a babá)”, diz. “Além disso, meu carro me dá sensação de segurança no trânsito.”

‘MIL E UMA UTILIDADES’
A lista de fãs de jipes é ampla. A versatilidade também atrai solteiras e casadas sem filhos.

Do primeiro grupo faz parte a decoradora de festas Marina Oliveira. Ela desbrava as estradas de São Paulo ao volante de um Hyundai Tucson, cujo porta-malas está sempre lotado de flores e outros enfeites. “Viajo todo fim de semana para organizar festas e preciso de espaço no porta-malas”, diz.

A necessidade de transportar coisas da capital para a casa de praia, para onde vai quase todos os fins de semana com o marido, Orlando, levou a advogada Mariana Veloci a adquirir um Hyundai Vera Cruz. “Sempre gostei de carros grandes. Até teria um menor, para a cidade, desde que houvesse também na garagem um utilitário, para a hora de viajar”, diz ela.

VERSATILIDADE AGRADA PÚBLICO BEM VARIADO 
Por abrangerem características de diversos segmentos, os utilitários-esportivos atraem um público bastante variado.

No caso do compacto EcoSport, 50% dos clientes são mulheres, segundo informações da Ford. Além disso, a maioria dos proprietários usa o modelo na cidade, mas quer um veículo que traga um certo espírito de aventura. Para o médio CR-V, as vendas para homens e mulheres são semelhantes e, de acordo com dados da Honda, devem se repetir no HR-V.

A ideia é atrair clientes de várias idades com o novo utilitário que, ainda segundo a empresa, reúne características do sedã Civic e do hatch Fit, além do CR-V. O público-alvo é majoritariamente urbano.

SEGMENTO TEM ‘DIVISÕES’ INTERNAS
Desde que foi lançado, em 2003, o EcoSport aparece no topo da lista de utilitários-esportivos mais vendidos do País. Em raras ocasiões, como na mudança da primeira para a segunda geração, o Ford perdeu o primeiro lugar para aquele que era, até agora, seu principal rival: o Renault Duster.

Mas agora o segmento de compactos está crescendo. A Honda acaba lançar o HR-V, a Jeep começa a vender o Renegade em abril e em junho será a vez do Peugeot 2008.

Outros concorrentes são Chevrolet Tracker, Hyundai Tucson, Chery Tiggo e Lifan X60.

Mas, apesar de os compactos dominarem as vendas do segmento, há modelos de outros vários portes e preços.

Na categoria imediatamente acima, de médios, há variedade de nacionalidades. Fazem parte desse grupo veículos de marcas asiáticas, como o Hyundai ix35, que é o mais vendido do grupo, e europeus, caso de Audi Q3 e Range Rover Evoque.

Subindo um pouco mais chega-se aos médios-grandes, cujo destaque é o Hyundai Santa Fe. E também os mais sofisticados, como o BMW X3 e o Mercedes-Benz GLK, por exemplo. Há também os modelos grandes (com mais de 5 metros), os jipes “de verdade” e os derivados de picapes.

RANKING DE VENDAS
JANEIRO E FEVEREIRO (2014)

MODELO
Ford EcoSport: 6.211 unidades;
Renault Duster: 5.227 unidades;
Hyundai Tucson: 2.720 unidades;
Hyundai ix35: 2.091 unidades;
Mitsubishi ASX: 1.790 unidades;
Chevrolet Tracker: 1.687 unidades;
Kia Sportage: 1.463 unidades;
Toyota SW4: 1.353 unidades;
Mitsubishi Pajero: 1.305 unidades;
Toyota RAV4: 1.106 unidades.

FONTE: FENABRAVE

COMPACTOS
É o segmento que terá o maior número de novidades neste ano, como o 2008. O HR-V acaba de chegar e o Renegade virá em abril. Com tabela a partir de R$ 66.200, o EcoSport é o líder de vendas, seguido pelo Duster, que parte de R$ 59.600.

MÉDIOS
Tem variedade. O líder ix35 (acima) parte de R$ 99.900, mesma faixa de CR-V, RAV4, Captiva e Sportage. O Mitsubishi ASX é o mais barato (R$ 86.490). Dos europeus, a lista vai do Q3 (a partir de R$ 141.990), ao Evoque (R$ 193.500). O Discovery Sport (R$ 179.900) virá em abril.

MÉDIOS-GRANDES
Entre os com dimensões entre 4,6 e 4,7 metros, o Santa Fe, à direita, é o líder e tem tabela a partir de R$ 176.990. Há ainda Q5, GLK e X3, todos na casa dos R$ 200 mil, além do grandalhão Jeep Grand Cherokee.

GRANDES
Há três Land Rover: Discovery (D), Range Rover Sport e Range Rover Vogue. Q7, X5 e ML também fazem parte da lista, além do Kia Mohave e do Dodge Durango. Todos custam mais de R$ 200 mil. O Mitsubishi Pajero Full é o mais em conta: parte de R$ 186.990.

DERIVADOS DE PICAPES
Do segmento, há três opções no País . O SW4 tem preço a partir de R$ 114.050 e é baseado na Hilux. Variante da S10, o Trailblazer começa em R$ 147.790 e o Pajero Dakar, utilitário derivado da L200, parte de R$ 146.990. Outro que está a caminho é o Everest, cuja base será a Ranger.

JIPES
Embora não sejam derivados de picapes, também têm construção com carroceria sobre chassi e são raras as opções no País. Entre elas está o brasileiríssimo Troller T4 (à esq.), a R$ 110.990. Outro que é feito no Brasil, o Suzuki Jimny começa em R$ 60.323. O Jeep Wrangler, por sua vez, sai a R$ 159.900.

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