Jovem boxeador de Caraguá treina duro rumo à profissionalização

Pausa nas competições por conta da Copa do Mundo? Até pode. Nos treinos, só em dias de jogos do Brasil. É assim que tem sido a rotina do jovem campeão paulista de boxe olímpico Daniel dos Santos Lúcio, 15 anos, e terceiro colocado no ranking nacional da modalidade.

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Pausa nas competições por conta da Copa do Mundo? Até pode. Nos treinos, só em dias de jogos do Brasil. É assim que tem sido a rotina do jovem campeão paulista de boxe olímpico Daniel dos Santos Lúcio, 15 anos, e terceiro colocado no ranking nacional da modalidade. Uma das promessas do boxe no Brasil revela seu dia a dia, seus sonhos e medos. Natural de Caraguá, Daniel é filho de pescador –a família do pai é de Castelhanos, comunidade tradicional que fica a leste de Ilhabela– e a mãe é de Mogi das Cruzes.

Quando criança, já sabia o que queria ser quando crescer. “Meu pai tinha aquele filme ‘Rock – O Lutador’, assisti àquele filme muitas vezes; até hoje, se colocarem, eu assisto. Tenho vontade de lutar boxe desde pequeno. Nas brincadeiras, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, falava logo: ser boxeador e campeão na minha categoria” se recorda.

A afirmação do garoto desatava piadas nos irmãos. “Eu ficava com raiva, mas isso acabou ajudando a provar para mim mesmo que eu poderia conseguir. Antes eu era briguento e hoje sou muito mais paciente e calmo. Meu sonho é me tornar um lutador profissional”, revela ele, que treina há dois anos na escolinha da modalidade mantida pela Prefeitura de Caraguá, na Subprefeitura do Porto Novo e também na academia dos servidores municipais. “São três dias de condicionamento físico e dois de técnicas”, conta.

A opção pelo boxe olímpico veio depois de vivências na capoeira e jiu-jítsu. “Quando descobri que tinha esse lugar que ensinava boxe, larguei tudo para trás e me foquei nele”. A primeira competição veio logo após três semanas. “Era um torneio de jovens, foi em São José dos Campos, ele lutou com um rapaz que praticava há dois anos e venceu”, relembra o auxiliar técnico Alvino Camilo de Souza, campeão sul-americano da modalidade em 1989, e voluntário no projeto.

O mesmo confronto se repetiria no ano seguinte, nos Jogos Regionais, disputados em Caraguá, como modalidade extra, com nova vitória do jovem caiçara. No ano passado, ele conquistou a primeira oportunidade de disputar uma competição nacional. “Ele venceu a seletiva paulista e conseguiu a vaga para representar o Estado na competição, realizada em Aracaju (SE), em setembro daquele ano. Ele ainda era muito jovem neste ambiente competitivo e mesmo assim conquistou um bronze, que para nós foi ouro”.

Desafios e medos
O tempo não para e, à medida que Daniel cresce, outros desafios vão se desenhando no caminho do atleta promissor. Naturalmente, os socos vão ficando mais pesados. “Tenho procurado pegar mais força nos socos, treinar a variação de golpes e técnicas de esquiva; o mais difícil é manter o peso, porque eu como bastante (risos)”.

As dificuldades também ocorrem fora do ringue. O pai, que tem problema de vista, alerta o filho sobre os riscos do esporte para a saúde; a mãe, sobre a responsabilidade e importância de ter uma profissão e um trabalho, caso a carreira de boxeador não vire. “Meu único medo é ter que abrir mão do meu sonho por falta de patrocínio”. Se a conquista de incentivo financeiro depender da vontade e da disciplina dele enquanto atleta, Daniel está em bom caminho.

“Ele é muito dedicado aos treinos e, aonde chega, é sempre muito respeitado; é visto como ‘pedreira’ nas competições”, completa Alvino Camilo. Daniel pleiteia o benefício Bolsa-Atleta, uma vez que é terceiro colocado em sua carreira, a Cadete 50kg. O próximo desafio de Daniel do jovem boxeador é o Desafio Carlinhos Furacão, que será disputado em setembro, na cidade de São Vicente, na Baixada Santista. Além da iniciativa privada e família, o atleta conta com o apoio do Sindicato dos Servidores de Caraguá e também da prefeitura local.

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