Juíza processa autor de samba-enredo contra ação no Pinheirinho

Acontece nesta terça-feira (9) a primeira audiência sobre o processo por calúnia, difamação e injúria movido pela juíza Márcia Loureiro contra o sindicalista Renato Bento Luiz, o Renatão, autor do samba-enredo “Covardia Nacional”, que faz alusão à reintegração de posse do Pinheirinho, ocorrida em janeiro de 2012, em São José dos Campos.

Escrito por: João Pedro Teles2 min de leitura
fundo_placeholder-023136
26_02_2014_10_anos_de_pinheirinho_sjc_Danieli Lohani 3 anos-foto_warley_leite_meon_8

Criança durante ato de 10 anos da ocupação do Pinheirinho

Warley Leite/Meon

Acontece nesta terça-feira (9) a primeira audiência sobre o processo por calúnia, difamação e injúria movido pela juíza Márcia Loureiro contra o sindicalista Renato Bento Luiz, o Renatão, autor do samba-enredo “Covardia Nacional”, que faz alusão à reintegração de posse do Pinheirinho, ocorrida em janeiro de 2012, em São José dos Campos.

Márcia Loureiro foi a juíza deu aval para que fosse cumprida a reintegração, que contou com um efetivo de 2 mil policiais militares e agentes da Guarda Municipal. Para ela, a letra do samba, tema de Carnaval do bloco Acorda Peão, do PSTU, a ofende pessoalmente.

No processo também consta que os carros alegóricos utilizados no desfile à época fazem alusão pejorativa à juíza. A letra faz alusão a “bandido de toga” e de que a Justiça “mete bala em inocente e solta o ladrão”.

A defesa de Renatão vai se basear no fato de que a juíza não foi citada em nenhuma frase do samba e que a irreverência é uma marca registrada das letras do bloco carnavalesco, assim como a de todos os outros do país.

“O processo aberto pela juíza é uma tentativa de censurar a letra de uma música e a liberdade de expressão em uma das mais típicas manifestações culturais de nosso povo, que é o Carnaval. A letra do samba é impessoal e não faz referência à pessoa da Márcia”, afirma Toninho Ferreira, um dos advogados de defesa na ação.

Tranquilo
Réu no processo, Renatão afirma que não teme o julgamento. De acordo com ele, que foi notificado no mês passado sobre a audiência, o processo é um exagero para uma letra de samba-enredo.

“Apenas fizemos o que fazemos todos os anos, que é contar com irreverência um pouco do que aconteceu durante o ano. E, em 2012, o principal assunto do Brasil era a reintegração do Pinheirinho. Por isso estou muito tranquilo quanto à audiência”, afirma.

Publicado em: