Justiça determina retirada de 110 famílias de área invadida em Cruzeiro
Cerca de 110 famílias tem menos de seis meses para desocupar a área do bairro do Batedouro, em Cruzeiro. A reintegração de posse foi determinada pela Justiça do município, no mês de abril. Os moradores afirmam que o impacto seria grande já que vários deles vivem há anos na comunidade e têm como renda o plantio de furtas e hortaliças no local. O terreno, que é da prefeitura, fica localizado em uma área de proteção ambiental, na Serra da Mantiqueira.

Cerca de 110 famílias tem menos de seis meses para desocupar a área do bairro do Batedouro, em Cruzeiro. A reintegração de posse foi determinada pela Justiça. Os moradores afirmam que o impacto seria grande já que vários deles vivem há anos na comunidade e têm como renda o plantio de furtas e hortaliças no local. O terreno, que é da prefeitura, fica localizado em uma área de proteção ambiental, na Serra da Mantiqueira.
A propriedade de 758 alqueires, que possui rede coletora de esgotos (em algumas casas) asfalto, coleta de lixo, energia elétrica e linha de ônibus, foi adquirida pela prefeitura em 1970, para a preservação do manancial de água para um futuro abastecimento da cidade. Anteriormente, o local era uma propriedade particular e após a venda, segundo moradores, 18 famílias, que eram funcionárias na área, permaneceram no local. Alguma delas estão há quatro gerações na área.
O Ministério Público constatou inúmeras irregularidades na região. Segundo o relatório, com base em laudos da Policia Florestal, a área apresenta uso indiscriminado de agrotóxico, devastação da mata natural, focos de incêndio, caça de animais silvestres e despejo irregular de esgoto. No local, há duas adutoras que abastecem cerca de 60% da população da cidade.
A venda de áreas públicas por posseiros é outro problema apresentado pelo MP. Mas, segundo os moradores, a grande maioria da população do bairro nasceu na área e alega que nenhum trabalho efetivo foi feito por parte do poder público para conter as invasões. Uma cancela e uma guarita foram instaladas há dois anos na entrada do bairro para evitar a entrada de material de construção, mas, a população disse que há muito tempo não há funcionários da prefeitura trabalhando no local.
Sem estudos, o lavrador José Moreira, de 59 anos, disse que não sabe o que vai fazer se precisar sair da área. Ele, que é agricultor e feirante, afirmou que vai dificuldades de encontrar outra atividade. “Tudo o que plantamos aqui vai para Cruzeiro e Cachoeira na feira. Se sairmos daqui, não sabemos como vamos sobreviver”, desabafou o morador, que nasceu na área.
Desocupação da área
A ação foi aberta em 2000, no governo de Celso Laje. A atual gestão ofereceu o cadastramento no programa “Minha Casa Minha Vida”, mas segundo o líder comunitário João Paulo da Motta, de 33 anos, muitos moradores tem suas raízes na área e não se adaptariam ao espaço urbano. Ele reclama que os moradores não receberam nenhuma notificação da Justiça até o momento. Motta disse que a população do bairro vai se unir para tentar reverter o cenário. “O poder público mostra uma coisa e a realidade é outra. Tentamos conversar com a promotoria pra mostrar o nosso lado. Famílias tiram seu sustento daqui”, completou o líder.
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