Livraria Cultura tem falência decretada pela Justiça de São Paulo

Na decisão, o juiz Ralpho Waldo De Barros Monteiro Filho citou o “descumprimento do plano de recuperação judicial” por parte da empresa

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Uma das mais tradicionais redes do país, a Livraria Cultura teve sua falência decretada nesta quinta-feira (9) em decisão do juiz Ralpho Waldo De Barros Monteiro Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

A decisão acontece quatro anos após a justiça ter aceitado o pedido de recuperação judicial da empresa, que alegou, na época, estar em crise econômica-financeira, com dívidas informadas em R$ 285,4 milhões – a maior parte com fornecedores e bancos.

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A queda na demanda pela leitura dos livros, os altos custos de produção e a profunda crise econômica pela qual o Brasil passava desde 2014 foram apontados pela administração da livraria como os principais motivos para a derrocada financeira.

Em sua sentença, o juiz Monteiro Filho reconheceu a importância da companhia, mas aponta que a empresa não teve sucesso em sua recuperação. “É notório o papel da Livraria Cultura”, escreveu. “E não apenas para a economia, mas para as pessoas, para a sociedade, para a comunidade não apenas de leitores, mas de consumidores em geral […] É com certa tristeza que se reconhece, no campo jurídico, não ter o grupo logrado êxito na superação da sua crise”, pontuou.

Ele disse ainda que há créditos trabalhistas que deveriam ter sido totalmente pagos até junho de 2021, mas ainda seguiam em aberto. Os relatórios mensais de atividades, que são feitos pelas administradoras judiciais, ficaram prejudicados pela falta de envio de documentos e pela falta de pagamento de honorários que deveriam estar integralmente pagas em abril de 2021.

“O comportamento das Recuperandas nestes autos tem demonstrado muito o contrário: em verdade, em diversos momentos, beira o descaso para com o procedimento recuperacional e para com o Juízo, que deu diversas oportunidades para suas manifestações, mas sem a vinda de conteúdo materialmente útil à comprovação do cumprimento do plano”, diz trecho da decisão.

Segundo o juiz, a inadimplência da empresa passa de R$ 1,6 milhão, “não se verificando qualquer perspectiva quanto à possibilidade de adimplemento”.

Um dos principais filósofos do país, Leandro Karnal lamentou a falência da empresa por meio de suas redes sociais e, em questionamento ao atual cenário de propagação cultural no país, indagou: “Fim da Livraria Cultura ou fim da Cultura?”, disse.

Reprodução/Redes sociais
Postagem de Leandro Karnal sobre falência da Livraria Cultura (Reprodução/Redes sociais)
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