Marcas premium fincam bandeira em São José dos Campos e região

Segmento teve crescimento recorde no mercado automotivo nos últimos anos

Escrito por: Henrique Macedo5 min de leitura
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Revendas de marcas de luxo montaram lojas em São José dos Campos

Pedro Ivo Prates/Meon

De uns anos para cá, eles têm sido vistos com mais frequência nas ruas das cidades de todo o país. Em São José dos Campos e cidades próximas, é cada vez mais comum você parar no semáforo, olhar para o lado e ver Audi, BMW, Mercedes-Benz, Jeep e outros carros de marcas importadas.  Avenidas da cidade já começam a atrair instalações luxuosas que estampam as logomarcas famosas no mundo inteiro.

Mas por que isso está ocorrendo? O gerente da revenda Mercedes-Benz em São José dos Campos dá uma pista. “Em 2008, um Mercedes do segmento de entrada equivalia a dois Toyota Corolla. Hoje, é de 20% a mais. Era muito longe, agora dá para encarar com mais facilidade”, diz Jorge Malinverno, há 25 anos no ramo. Segundo o gerente, muitos clientes do Sul de Minas e do interior do Rio de Janeiro evitam ir à capital paulista. “Tem comprador que não quer ir para capital, não dirige lá, tem pavor de ir pra lá. Então, acabam nos procurando”.

Na contramão da indústria automotiva nacional – que acumula queda nas vendas – as chamadas marcas premium tem conquistado cada vez mais consumidores. Elas possuem praticamente toda a linha acima dos R$ 100 mil, mas isso não tem afastado os compradores.

“O crescimento deste setor é resultado de novos produtos com estratégias de preços e condições de negociações mais agressivas, expansão da rede de concessionários, novas modalidades de financiamento com opções de taxas mais baixas e melhoria no pós-vendas. Na BMW, a instalação da fábrica no Brasil alavancou muito as vendas em 2014. Consequentemente, houve um crescimento menor em 2015, quando comparamos com outras marcas. Mesmo assim, crescemos em torno de 5%”, diz Eduardo Vale, gerente da revenda BMW em São José dos Campos.

Uma das marcas mais icônicas do mundo automotivo, a Jeep também está atuando em São José dos Campos. A marca, que pertence ao grupo Fiat, tem revenda na cidade desde agosto de 2015. De acordo com Joubert da Silva Filho, gerente comercial, a marca veio para ganhar mercado no segmento SUV na região do Vale do Paraíba e Litoral Norte. “Nos últimos dois meses, já conseguimos 40% de participação no mercado. Estamos com uma média mensal de 40 carros/mês e esperamos chegar a 60 carros”. O modelo mais vendido é o Renegade, mas a marca tem toda a gama de modelos de SUVs importados.

Mudança

O economista Edson Del Carmo tinha um Toyota Corolla, mas sonhava com um importado. “Eu procurava mesmo uma Mercedes e me preparei para adquirir o carro. O que me atraiu foi a tecnologia aplicada ao veículo, a segurança e os equipamentos. Estou satisfeitíssimo com o carro”, elogia o C180, carro-chefe de vendas da marca no Brasil.

O executivo de contas Marcelo Guenka já teve alguns carros importados e nos últimos anos era fiel aos Toyota Corolla. “Cheguei a ter quatro Corolla e resolvi comprar a BMW porque o modelo tinha selo BR, ou seja, produzido aqui. Isso porque tive problemas de manutenção com os importados”.

Marcelo aponta outro fator que acaba facilitando a compra. “Agora está mais tranquilo de entrar numa marca dessas, pois eles fazem umas promoções e facilitam mais. A diferença caiu bastante mesmo, do que existia há dois, três anos. Isso encoraja”, analisa.

Vendas

As três marcas desse segmento que mais vendem carros no Brasil – Audi, Mercedes-Benz e BMW -, comemoram resultados que podem ser considerados expressivos para um setor que, até pouco tempo atrás, apresentava números discretos. De acordo com informações das fábricas, a Audi fechou o ano na liderança do segmento, seguida por Mercedes Benz e BMW. A Audi também já fincou o famoso logotipo com os círculos em São José dos Campos. A revenda comercializa toda a linha de veículos da marca desde dezembro.

Perspectiva

Para este ano, o mercado já começa a apresentar sinais de desaceleração. A crise na economia do país já impacta fortemente nas vendas de veículos. Mesmo com fábricas instaladas no Brasil, as marcas premium sempre estão atreladas ao dólar. Tem as peças, componentes, maquinário, e tudo está amarrado com a cotação da moeda.

“A economia vem mal e, para esse ano, isso vai ter reflexo ainda no primeiro semestre, quando começam a chegar os carros comprados este ano. O preço vai aumentar. Os carros que estão nas concessionárias ainda são do dólar a R$ 2,87. Isso deve impactar nas vendas. Desde 2010, é a primeira vez que vamos enfrentar esse tipo de situação. O carro que custava R$ 136 mil vai a R$ 152 mil. Vai haver uma certa acomodação de preços e isso deve demorar para o consumidor digerir”, analisa o gerente da revenda Mercedes-Benz em São José.

O jornalista especializado na indústria automotiva, Fernando Calmon, vê o futuro com cautela. “As vendas das marcas premium devem estagnar, contra uma queda de até 20% em todos os segmentos”. Para ele, a instalação de fábricas no país não vai alterar o cenário. “Os preços não vão mudar. A nacionalização é baixa e o dólar subiu”, observa.

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