Maria Rita Singulano aponta expansão do mercado imobiliário de São José e desafios para o setor

Primeira mulher a presidir a Aconvap, engenheira e ex-secretária municipal de Habitação e Obras fala sobre expansão imobiliária, investimentos, infraestrutura e o futuro das cidades do Vale do Paraíba

Escrito por: Rubens Baracho6 min de leitura
Foto: Dimas Cardoso
Foto: Dimas Cardoso

O mercado imobiliário de São José dos Campos vive um período de expansão, com novos lançamentos, loteamentos e empreendimentos destinados a diferentes faixas de renda. Apesar do cenário positivo, o setor enfrenta desafios como a falta de mão de obra e a redução do poder de compra das famílias.

A avaliação é de Maria Rita Singulano, primeira mulher a presidir a Aconvap. Em entrevista ao MEON Entrevista, ela falou sobre sua trajetória profissional, o crescimento da construção civil e as perspectivas para o mercado imobiliário do Vale do Paraíba.

Formada em Engenharia em 1988, Maria Rita trabalhou por 13 anos na Prefeitura de São José dos Campos, sendo 11 deles como secretária municipal, nas áreas de Habitação e Obras. Também presidiu a Associação de Engenheiros e Arquitetos.

São José vive expansão imobiliária

Segundo Maria Rita, São José dos Campos passou por uma grande transformação no perfil dos empreendimentos. Atualmente, a cidade reúne desde imóveis populares até condomínios e edifícios de alto padrão.

“São José mudou muito o perfil imobiliário nos últimos anos. Hoje temos empreendimentos para diferentes públicos e faixas de renda”, afirmou.

Ela cita regiões como Urbanova e Parque Una como exemplos dessa expansão. Uma pesquisa mencionada durante a entrevista apontava cerca de R$ 6,5 bilhões em empreendimentos no município.

Velocidade de vendas chama atenção

Apesar do grande número de lançamentos, Maria Rita afirma que São José não vive um cenário de imóveis encalhados.

“A nossa velocidade de vendas é muito boa. Não temos hoje um problema de estoque de imóveis encalhados”, disse.

O mercado de loteamentos também está aquecido, principalmente em regiões como Putim e Campos de São José. Segundo ela, alguns empreendimentos com centenas de lotes chegam a ser comercializados em poucos dias.

Maria Rita Singulano - Foto: Dimas Cardoso
Maria Rita Singulano – Foto: Dimas Cardoso

Poder de compra preocupa o setor

Entre os principais desafios apontados pela presidente da Aconvap estão a falta de trabalhadores e a dificuldade de acesso aos imóveis diante do poder de compra das famílias.

“Hoje temos dois grandes problemas: a falta de mão de obra e o poder de compra da população”, afirmou.

Segundo Maria Rita, os salários não acompanharam a inflação em ritmo suficiente nos últimos anos, reduzindo a capacidade de financiamento. Ela cita como exemplo um imóvel de aproximadamente R$ 600 mil, para o qual seria necessária uma renda familiar próxima de R$ 12,5 mil.

“Existe um descompasso entre aquilo que a pessoa gostaria de comprar e aquilo que ela consegue pagar”, explicou.

Imóveis também ganham espaço como investimento

Maria Rita observa ainda que consumidores de classe média e média baixa passaram a enxergar os imóveis como uma forma de investimento e construção de patrimônio.

“Antes, a pessoa comprava um imóvel para morar. Hoje ela também começa a pensar no imóvel como uma forma de investimento”, disse.

Para quem não precisa utilizar o imóvel imediatamente, a compra na planta pode ser uma alternativa, já que o preço inicial tende a ser menor e existe possibilidade de valorização ao longo da obra.

Cuidados antes da compra

A engenheira recomenda que compradores verifiquem a aprovação do empreendimento pela prefeitura, o registro em cartório, a existência de patrimônio de afetação e a reputação da construtora.

“É importante pesquisar a construtora, verificar o histórico de empreendimentos entregues e conferir toda a documentação antes de comprar”, orientou.

No caso de loteamentos, também é importante confirmar a regularização e os registros antes de fechar negócio.

Regiões leste e sudeste podem ganhar valorização

Na avaliação de Maria Rita, diferentes regiões de São José ainda têm potencial de valorização. Após o forte crescimento da região sul, áreas leste e sudeste passam por expansão impulsionada principalmente pelos novos loteamentos.

“A região leste e a região sudeste estão vivendo um momento importante de desenvolvimento”, afirmou.

Ela destaca que o crescimento poderá contribuir para a criação de novas ligações viárias entre diferentes regiões da cidade.

Crescimento precisa vir acompanhado de infraestrutura

Para Maria Rita, o desenvolvimento imobiliário precisa ser acompanhado de investimentos em infraestrutura e serviços públicos.

“Não basta ter asfalto, água e esgoto. É preciso ter educação, saúde e segurança para que a população tenha qualidade de vida”, afirmou.

A entrevistada também defende a preservação das áreas verdes e a adoção de soluções que ajudem a evitar o aumento dos congestionamentos.

“Precisamos continuar tendo muito verde e evitar grandes problemas de trânsito”, destacou.

Uso misto pode reduzir deslocamentos

Outro conceito defendido por Maria Rita é o de uso misto, com moradia, comércio e serviços próximos.

“Quanto mais você consegue aproximar moradia, comércio e serviços, menos as pessoas precisam se deslocar”, explicou.

Ela cita o Parque Una como exemplo de empreendimento que utiliza o conceito de fachadas ativas.

Expansão regional

O crescimento imobiliário também deve beneficiar outras cidades do Vale. Maria Rita destaca Pindamonhangaba, Jacareí e Taubaté entre os municípios com potencial de expansão.

“Jacareí, por exemplo, pode dar um salto importante com as mudanças na legislação e no plano diretor”, avaliou.

Para ela, regras mais modernas e segurança jurídica são fundamentais para estimular novos investimentos.

Imóvel continua como opção de longo prazo

Ao projetar os próximos dez anos, Maria Rita considera que os imóveis continuarão sendo uma alternativa para quem busca construir patrimônio no longo prazo.

“O imóvel continua sendo um patrimônio importante para quem tem visão de longo prazo e não tem pressa para obter retorno”, afirmou.

Ela também cita os fundos imobiliários e a tokenização como novas formas de acesso ao mercado.

Para os jovens que estão começando a construir patrimônio, o conselho da engenheira é priorizar a educação.

“A primeira coisa em que uma pessoa deve investir é na própria educação e na busca por informação”, afirmou.

ConstruVale 2026

Durante a entrevista, Maria Rita também convidou o público para a ConstruVale 2026, feira do setor imobiliário que será realizada entre os dias 12 e 15 de novembro, no Vale Sul Shopping.

Segundo ela, a edição anterior recebeu mais de 20 mil visitantes. A feira reúne empreendimentos e oportunidades imobiliárias de São José dos Campos e região em um único espaço.

“A ConstruVale é uma oportunidade para as pessoas conhecerem diferentes empreendimentos e compararem as opções em um só lugar”, concluiu.

ASSISTA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA!