Austeridade e a pessoa com deficiência
Vacine-se já, por amor ao próximo

Oi gente. Aos quarenta anos, recebi nesta semana minha primeira dose da vacina contra a Covid-19. O direito derivou de comorbidade devido minha cegueira. Peço aos que se enquadrarem em qualquer pré-requisito favorável a imunização que, por favor, o faça, por você e pelos seus. Assim como, atualmente, a internet torna-se insubstituível, a ciência também o é. Já combatemos a diversas pandemias, resistindo a todas elas graças a medicina cientifica. Então, vacine-se já, por amor ao próximo.
Neste mês, diferente das temáticas sobre nossas necessidades inclusivas sempre tão presentes, lanço luz a uma observação muito importante que, espero eu, não lhes cause estranhamento. Uma espécie de puxão de orelhas a quem a “carapuça” servir. Falo das pessoas com deficiência que, embora tenham, sim, seus direitos, por vezes, erroneamente, desrespeitam os outros. Acontece, e creio que você conhece alguém assim, que muitas PCDs se prevalecem de suas limitações, invocando, sobre circunstancias erradas, prioridades ou direitos inexistentes. Resumindo, pessoas chatas, neste caso, com deficiência. Trago este assunto, pois foram muitas as vezes que presenciei infortúnios desnecessários provocados por colegas deficientes. Descrevo dois exemplos bem recentes.
O primeiro deles, ocorrido na fila para imunização da qual relateianteriormente. Uma pessoa cadeirante, aguardando um pouco mais adiante a mim, agiu com rispidez, levantando o tom e desaforando a atendente que fazia as fichas. Motivo; erroneamente, ela, PCD, não estava munida de carteirinha do SUS, ou qualquer outro documento que comprovasse sua residência aqui em nossa cidade. Diante da explicação do atendente sobre não ter como realizar o cadastro vacinal sem tal documento, irritada, aos gritos, ela insistia com a pessoa; “Eu tenho, sim, direito! Não vê minha cadeira, meu aleijo?”. Estressada a pessoa não percebia que, sem os documentos, como o servidor preencheria, com dados comprovados, o endereço dela? Sim, deveríamos não precisar disso, mas o estado necessita deste controle para garantir que, cada um a seu tempo, todos possam ser imunizados regularmente.
Um segundo e não menos absurdo episodio foi numa recente viagem que precisei fazer. Nos aeroportos, interior a fora, é comum o embarque de cadeirantes pela porta traseira da aeronave, onde a acoplagem do elevador de embarque prioritário para cadeiras de roda, faz-se mais adequada. Enquanto todos entram pela escada na porta da frente, num tumulto corriqueiro a nossa realidade cultural, em muitos casos, a empresa aérea costuma realizar o embarque do cadeirante exclusivamente pela porta de trás, onde ele se sentará ao fundo da aeronave e receberá seu atendimento preferencial, ou mesmo será, depois de embarcado, conduzido a sua poltrona, ainda que esta se localize à frente do avião. No caso em tela, a pessoa não se conformava com a colocação do elevador na porta traseira. Segundo sua zanga, aquilo estava errado. Ríspida, ela dizia merecer prioridade, o que, para ela, consistia em ser embarcada primeiro, pela porta da frente, depois o elevador seria retirado, aí sim, acoplaria a escada. Então eu pergunto, onde está a lógica nesse entendimento? Poxa, sejamos razoáveis. Com o procedimento de embarque adotado, simultaneamente, todos embarcam, incluindo o PCD, acomodam-se, viajando em igual dignidade. Absurdo é não haver, como muitas vezes ainda acontece, elevadores disponíveis nesse ou naquele aeroporto. Aí sim, se justifica reclamar tal ausência de acessibilidade.
Gente, no Brasil, não faltam desmandos a serem corrigidos, nem acessibilidade a ser providenciada. Porém, vamos nós, pessoas com e sem deficiência, seguir as normas, quando essas existirem e forem comum à todos. Deficiência requer priorizações e protocolos, não justificando ruptura com a legalidade nem difamação a ninguém. Dúvidas, sugestões de tema e demais interações, contate [email protected] e vamos dialogar em favor de uma sociedade mais integrada.
Professor e pessoa com deficiência visual Graduado em pedagogia. Pós graduado em: Ciências Sociais pela PUC Rio e Políticas Públicas pela PUC DF Atuou 10 anos como professor da rede estadual do Estado de Rondônia nas disciplinas de Sociologia, Filosofia e Educação Especial Atualmente trabal…
Posts Relacionados



