Envelhecer no Brasil — avanços, desafios e novos caminhos
Durante esta série de reflexões, percorremos diferentes dimensões do envelhecimento humano, buscando compreender como a sociedade brasileira — e o mundo — têm se preparado para viver mais e viver melhor. Discutimos desde o impacto da transição demográfica até os desafios emocionais, sociais e estruturais envolvidos no processo de envelhecer. E, a cada tema, reforçamos […]

Durante esta série de reflexões, percorremos diferentes dimensões do envelhecimento humano, buscando compreender como a sociedade brasileira — e o mundo — têm se preparado para viver mais e viver melhor. Discutimos desde o impacto da transição demográfica até os desafios emocionais, sociais e estruturais envolvidos no processo de envelhecer. E, a cada tema, reforçamos a mesma ideia central: a longevidade é, antes de tudo, um fenômeno social que exige políticas públicas sólidas e uirgentes, cultura do cuidado e um olhar livre de preconceitos e esteriótipos.
Falamos sobre idadismo e como os estereótipos prejudicam oportunidades, relações sociais e o bem-estar das pessoas idosas. Recordamos que discriminação etária está presente não apenas no Brasil, mas em muitos países, inclusive de forma explícita, como durante a pandemia de COVID-19, quando a vida de pessoas idosas foi injustamente tratada como menos valiosa e descartável. Mostramos, com dados do IBGE, que o envelhecimento populacional é acelerado e incontornável — e exige o combate firme ao preconceito etário.
Debatemos também o envelhecimento ativo, trazendo exemplos de pessoas idosas que ocupam novos papéis sociais, permanecem no mercado de trabalho, empreendem, estudam e participam de atividades culturais e comunitárias. Destacamos que a imagem tradicional da “vovó cuidadora” já não representa a pluralidade da velhice contemporânea. Hoje, mulheres idosas estão mais escolarizadas, atuantes, independentes e autônomas, exigindo políticas que reconheçam sua potência.
Refletimos ainda sobre cidades e moradias para o envelhecimento ativo, ressaltando a importância da arquitetura acessível, da mobilidade segura, da tecnologia assistiva e dos espaços públicos inclusivos. Falamos sobre renda, educação, participação social e o papel central da intergeracionalidade para construir uma sociedade mais justa e inclusiva.
Outro ponto essencial foi a inclusão digital das pessoas idosas. Se antes tecnologia era vista como território exclusivo dos jovens, hoje os dados mostram o contrário: 66% das pessoas com 60+ já usam internet no Brasil, e mais de 78% possuem celular. A tecnologia tem se tornado ponte de conexão, autonomia e cidadania — mas o “divisor digital” ainda exclui muitos, reforçando a necessidade de ações públicas e comunitárias de capacitação para a inclusão.
Não por acaso, o tema da redação do ENEM 2025 trouxe a questão do envelhecimento, um marco simbólico que demonstra como o tema deixou de ser “assunto de nicho” e passou a ocupar o centro das discussões nacionais. Foi um reconhecimento de que envelhecer é um destino coletivo e urgente.
Para 2026, algumas temáticas podem ganhar ainda mais destaque, tais quais:
• Cuidado de longa duração e os desafios da vida centenária.
• O futuro do trabalho e a presença crescente de profissionais 60+.
• Inteligência artificial e inclusão: como garantir acesso e segurança digital às pessoas idosas.
• Cidades inteligentes para todas as idades.
• Saúde mental na velhice.
• Violência contra a pessoa idosa e políticas de proteção.
Se 2025 foi o ano de entender a urgência da pauta, que 2026 seja o ano de transformá-la em ação. Porque envelhecer é universal — e o futuro será longevo.

Caminhos do Envelhecer
Luiz Eduardo dos Santos, gerontólogo, mestre em Gerontologia pela UFSCar e administrador de empresas, com atuação voltada à Saúde Coletiva, envelhecimento, direitos da pessoa idosa e qualificação de políticas públicas. Possui experiência na coordenação e assessoramento de projetos em atenção à saúde…
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