Juros sobem puxados por dólar e dados ruins no Brasil

A disparada do dólar ante o real nesta sexta-feira, 30, fez os juros futuros registrarem forte alta, sobretudo nos vencimentos intermediários e longos. Mas o avanço das taxas curtas, ainda que mais discreto, indicou aumento das apostas na manutenção do ritmo de aperto monetário em 0,50 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, em março. O…

Escrito por: Conteúdo Estadão2 min de leitura
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A disparada do dólar ante o real nesta sexta-feira, 30, fez os juros futuros registrarem forte alta, sobretudo nos vencimentos intermediários e longos. Mas o avanço das taxas curtas, ainda que mais discreto, indicou aumento das apostas na manutenção do ritmo de aperto monetário em 0,50 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, em março. O avanço dos juros também refletiu, entre outras coisas, o aumento da desconfiança com o Brasil, oriundo do rebaixamento dos ratings da Petrobras e do déficit do setor público consolidado.

Assim, ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI com vencimento em janeiro de 2016 apontava 12,75%, de 12,67% ontem. O DI para janeiro de 2017 mostrava 12,47%, de 12,34% no ajuste anterior. E o DI para janeiro de 2021 indicava 11,89%, de 11,76% no ajuste da véspera. O dólar à vista de balcão encerrou o dia em alta de 2,95%, aos R$ 2,6850.

Pela manhã, os investidores já repercutiam a notícia de que a Moody’s havia rebaixado o rating da Petrobras para BAA3, mantendo a perspectiva sob revisão para futura nova baixa. Além disso, o Banco Central informou que o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais – com exceção de Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 12,894 bilhões em dezembro. Foi o pior resultado para o mês desde 2001, quando teve início a série histórica do BC. Em 2014, o déficit público primário foi de 0,63% do PIB.

De acordo com o profissionais do mercado, o avanço das taxas futuras de juros só não foi maior por conta do recuo dos juros dos bônus de países como Alemanha e Estados Unidos. Entre outubro e dezembro, o PIB dos EUA cresceu a uma taxa anual de apenas 2,6%, bem menos que a expansão de 3,2% prevista por analistas.

Antes do PIB, já havia repercutido mal nos mercados a notícia de que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro teve queda anual de 0,6% na prévia de janeiro, após recuar em ritmo mais lento de 0,2% em dezembro. Assim, o retorno dos bunds alemães de 10 anos bateram na mínima histórica, abaixo de 0,30%. Já o yield dos Treasuries de 10 anos estava no fim da tarde em 1,6823%, de 1,759% no fim da tarde de ontem em Nova York.

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