Tombini diz que dólares estão voltando ao Brasil
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que não há nada a mudar ou melhorar na estratégia brasileira de reação à crise de desconfiança que atingiu países emergentes nos últimos meses. Ao comentar o receituário composto por alta do juro, câmbio flutuante, reservas internacionais e, desde a semana passada, o corte do Orçamento,…

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que não há nada a mudar ou melhorar na estratégia brasileira de reação à crise de desconfiança que atingiu países emergentes nos últimos meses. Ao comentar o receituário composto por alta do juro, câmbio flutuante, reservas internacionais e, desde a semana passada, o corte do Orçamento, Tombini avalia que “não há reparo” a ser feito. O retorno dos dólares ao País em janeiro e fevereiro é um dos argumentos para dizer que o plano é bem-sucedido. Analista, porém, alertam que o retorno não é tão forte assim e que há muita volatilidade.
O saldo negativo das contas externas do Brasil – que revela que dólares saem do País pelo comércio exterior e transferências financeiras _ é apontado por analistas como uma das maiores fragilidades do País. Com o discurso, Tombini defende que a desvalorização de moedas como o real ou a rupia tende a melhorar essa situação. Junto com o Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia e Turquia sofreram forte desvalorização das moedas nas últimas semanas e o grupo foi apelidado de “cinco frágeis”.
Um dos argumentos para a defesa da estratégia adotada pelo próprio BC e o Ministério da Fazenda é que os dólares começam a voltar ao Brasil. Após meses de fuga de estrangeiros e consequente desvalorização do real, investidores parecem retornar ao País e Tombini informou que o fluxo cambial acumulado em janeiro e fevereiro deve ter ficar positivo em cerca US$ 3 bilhões.
“Depois de alguns meses de saídas líquidas, realmente o número de janeiro fechou bem. Fevereiro ainda não saiu, mas está vindo forte”, disse. Em janeiro, o fluxo de dólares para o Brasil registrou entrada líquida de US$ 1,6 bilhão e a cifra de fevereiro deve ficar próxima desse valor. “Então, o Brasil continua recebendo (dólares), mas vai receber menos como todos os outros países emergentes.”
Ação dos EUA
Ao contrário das reclamações de outros países emergentes contra a maneira que os EUA estão retirando estímulos da economia, Tombini fez uma avaliação positiva sobre a chamada normalização da política monetária americana. Para o presidente do BC, o ajuste de preços causado pelo movimento dos EUA – como a desvalorização de moedas emergentes – terá resultado positivo.
“Há um ajuste nos preços relativos, incluindo as taxas de câmbio e preços de ativos nos emergentes, e isso não deve ser confundido com fragilidade. Isso é parte da solução”, disse. No caso brasileiro, Tombini diz que o País recebeu fortes volumes de capital nos últimos anos. Agora, com o novo cenário nos EUA, o real perde força. “Essa desvalorização faz com que nossos produtos fiquem mais baratos no exterior e as importações fiquem um pouco mais caras. Isso ajuda no ajuste da conta corrente. Ou seja, milita no sentido de diminuir o desbalanço e não de aumentar. Isso não é problema.”
Após deixar a reunião das 20 maiores economias do mundo, o G-20, Tombini fez uma avaliação bastante otimista sobre como o governo brasileiro tem reagido à turbulência internacional gerada pela mudança na economia dos Estados Unidos.
“O Brasil tem adotado políticas bastante clássicas no enfrentamento dessa situação de transição: ajuste da política monetária, flexibilidade no câmbio e, agora, foi anunciado o corte do Orçamento. Ou seja, um aperto na política”, disse. Além disso, Tombini lembrou do colchão de mais de US$ 375 bilhões em reservas internacionais administrado pelo BC. “De forma que oferecemos proteção contra as variações cambiais para fazer com que esse ajuste nos preços relativos seja absorvido com tranquilidade no País”, disse.
“Esse é mais ou menos o receituário que a gente já vem fazendo. Ou seja, não há reparo nesse sentido”, completou em entrevista após o fim das reuniões do G-20 na Austrália. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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