Trinta e um e oitenta e quatro

Sorte e azar são facetas da mesma moeda e conceitos um tanto relativos Pixabay (…) Trinta e sete. Quarenta e oito. Setenta e um. – Aqui, eu! Vertical! Cinquenta e nove. Sessenta e cinco. Quinze minutos e sei lá quantas pedras depois, lá estava eu, “na boa”, esperando o derradeiro “trinta e um” que me […]

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Crédito:Pixabay

Sorte e azar são facetas da mesma moeda e conceitos um tanto relativos

Pixabay

(…)

Trinta e sete.

Quarenta e oito.

Setenta e um.

– Aqui, eu! Vertical!

Cinquenta e nove.

Sessenta e cinco.

Quinze minutos e sei lá quantas pedras depois, lá estava eu, “na boa”, esperando o derradeiro “trinta e um” que me renderia as glórias do prêmio principal da cartela cheia.

E ele não tardou a vir.

Trinta e um.

– Eu! – gritamos eufóricos.

“Gritamos”?

Sim, gritamos, porque um infeliz da fila de trás resolveu ganhar junto comigo. Alegria de pobre é assim mesmo.

Foi quando eu dei uma olhada no prêmio: um bolo pseudo-oval com uma cobertura branca de glacê (ou seja lá o que fosse aquele creme branco), que tinha uma cara de estar tão absurdamente doce, que tive a certeza de ter contraído diabetes terminal pelo simples fato de ter olhado para aquele templo disforme em homenagem ao Deus-Açúcar.

Meus pelos corporais se eriçaram ao me imaginar comendo o famigerado bolo, e temi pela infelicidade de ter que levar aquele depósito calórico para casa.

Segundo as regras da quermesse bingueira, o desempate se daria por meio da retirada de pedras pelos contendores.

Saquei a primeira pedra com todas as moléculas do meu corpo escangalhado implorando por um número diminuto (existe zero no bingo?).

Para meu mais completo desespero, peguei o número 83. Infelizmente, as chances de eu levar pra casa aquele depósito descomunal de açúcar haviam aumentado fetozmente. Havia no saquinho 82 chances de eu levar o bolo e apenas 17 de eu ‘ganhar’ a perda do bolo.

Meu incauto adversário enfiou a mão na sacola e sacou um improvável 84, para glória e redenção da minha integridade fisica.

Sorte e azar são facetas da mesma moeda, e conceitos um tanto relativos, concluí, em minha derradeira sessão de filosofia barata naquela noite fria.

Voltei pra casa de mãos vazias, cinco reais mais pobre, mas feliz da vida e tão magro na saída quanto estava na entrada.

Bingo!

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