Sociedade, deficiência e o politicamente correto
“Sobre sua contribuição para uma sociedade mais inclusiva, permita-se”, diz colunista que tem deficiência visual

Oi gente! É um prazer inclusivo estrear junto ao time MEON de jornalismo e uma alegria imensa ser prestigiado pela sua leitura. O convido a me acompanhar nesta breve contribuição sobre deficiência e sua dinâmica particular e textual.
Na sociedade, imagino que a maioria de nós conheça alguém com algum grau de limitação, o que naturalmente nos remete a sentimentos alternados, de piedade até a admiração motivadora. Caso já tenha vivido essa estranheza emocional, não se envergonhe, é por ela que podemos dar início ao assunto. Inclusão é uma questão ampla, comecemos pensando sobre como abordar alguém com deficiência. Tal iniciativa requer principalmente diálogo.
Perguntas simples sobre “Deseja que eu te ajude?” ou “como posso te auxiliar?”, devem substituir nossa pasma natural perante o diferente. Aqui eu reconheço que temos dias ruins, que somos complexos em nossa individualidade. Pensando assim é prudente aceitar que, seja a pessoa fisicamente saudável ou não, a deficiência não tem por excelência ser um fado catequético, o individuo é quem ele é em sua personalidade.
Se sua cortesia for mal recebida, não se inflame, não condene o próximo necessitado pela omissão do sentimento magoado. Sempre se disponha em ajudar, pois a solidariedade é só sua, é o seu semear o bem ainda que eventualmente o solo se revele infértil. Não expresse penúria, transforme sua compaixão em atitude e simplesmente interaja.
Na evolução da escrita inclusiva, a história já registrou termos insensatos como coxo, aleijo, débil, mongoloide, especial, excepcional, etc… Sinônimos ineficientes e que ainda confundem a maioria de nós. Por esse motivo, numa sociedade formal cujo sentimentalismo não contribui para um protocolo de tratativas padrão, a recomendação é que sempre adotemos, do senso comum ao rebuscado, o termo Pessoa Com Deficiência, seguido da sigla PCD.
Deste modo, antes de enfatizar ou tipificar a limitação de alguém, você já terá expressado o mais importante, o “P” ou a palavra pessoa, a natureza particular daquilo que nos faz iguais na diferença. Não receie se anunciar com este termo, pois a ética transcende as intenções e enquanto o conceito de Pessoa vier na frente, a palavra deficiência não soará pejorativa.
Sobre sua contribuição para uma sociedade mais inclusiva, permita-se. Sobre o sujeito, seja cadeirante, cego, surdo ou com inabilidades sóciointelectuais, tente ajudar, use tratativas acolhedoras, essas são posturas próprias de alguém capaz de se pôr no lugar do próximo. Solidarize-se. Sobre propósito, este deve sempre focar-se na construção do elo entre a necessidade da pessoa e a solução de seu problema. Então aja. Hoje me limitei a fazer saber que a pessoa com deficiência – PCD, pode ser apontada em suas limitações, desde que seja priorizado o individuo singular, antes de sua deficiência característica.
Sempre que respeitarmos o protagonismo humano por traz das diferenças físicas, teremos evoluído. Obrigado e saiba que esse espaço estará aberto à pautas inclusivas. Caso desejar contribuir para o assunto, contate o e-mail: [email protected], ou minha página no Facebook: Mateus Lima.
Boas festas e um ano novo de saúde, paz e bem a todos nós.
Professor e pessoa com deficiência visual Graduado em pedagogia. Pós graduado em: Ciências Sociais pela PUC Rio e Políticas Públicas pela PUC DF Atuou 10 anos como professor da rede estadual do Estado de Rondônia nas disciplinas de Sociologia, Filosofia e Educação Especial Atualmente trabal…
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