Alegria de viver em Quebec

A animação da estreita Rue du Petit Champlain, considerada a rua mais antiga

Escrito por: Nathalia Molina4 min de leitura
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A animação da estreita Rue du Petit Champlain, considerada a rua mais antiga

Divulgação

Uma taça de rosé, o céu azul, o Rio Saint-Laurent. Da varanda do restaurante do Pointe-à-Callière, museu de arqueologia e história de Montreal, o contorno do Vieux-Port se estica até se perder no horizonte. Lá embaixo, a velha zona portuária da cidade fervilha na tarde de domingo. Depois de meses congelantes, ele chegou: o calor.

Quebec, a província francesa do Canadá, vê as temperaturas caírem aos 20 graus negativos a cada inverno – neste ano, foram até mais frias. De maio a setembro, esquenta. Nas duas principais cidades da província, Montreal e Quebec (a capital), a mínima pode ser de zero grau em abril e voltar a ser assim no fim de outubro. Em julho, a máxima bate em cerca de 25 graus. Mas as temperaturas registradas pela canadense The Weather Network, empresa de previsão do tempo, variam ano a ano até 30 graus negativos para o mesmo número, positivo, no verão.

É tempo, então, de ocupar ruas, praças, parques. Tudo em clima festivo, animado por bicicletas e temperado por um delicioso toque europeu que a província orgulhosamente cultiva. A identidade cultural forte faz de Quebec um outro Canadá.

Maior província canadense, Quebec é a segunda mais povoada, depois de Ontário. Responde por cerca de um quarto da população do Canadá. Seus 8,2 milhões de habitantes vivem essencialmente em cidades próximas ao curso do Rio Saint-Laurent, de grande importância para a história local e do país.

Foi por ele que começou a colonização francesa no Canadá, em 1534, com a primeira expedição de Jacques Cartier. O navegador retornou outras vezes e descobriu a área onde depois nasceria Montreal. Em 1608, o explorador Samuel de Champlain fundou o primeiro assentamento da França na América do Norte, num pedaço onde atualmente está a cidade de Quebec.

O domínio francês durou até a era industrial, mas os québécois fazem questão de manter presente sua herança até hoje. Não apenas no idioma – ali o inglês é segunda língua -, mas no estilo de vida. Em apreciar as artes, em valorizar o patrimônio histórico e a natureza, em sorver o vinho, em degustar as refeições.

Baseada na cozinha francesa, a gastronomia de Quebec incorpora também influências dos aborígines, os primeiros habitantes, e dos britânicos, que tomaram posse da região em 1759, durante a Guerra dos Sete Anos. Com o calor, as varandas dos restaurantes ficam disputadas e ingredientes frescos surgem nos cardápios. Mesmo com tempo quente, um clássico a ser provado é poutine, prato da área rural de Quebec, preparado com batatas fritas cobertas de queijo coalhado e molho de carne.

Para quem aprecia gastronomia, o turismo gourmet na província não se limita a comer bem. Oferece ainda a chance de entender o valor que os québécois dão à terra e ao que dela nasce. É no verão que pequenos produtores rurais de Île d’Orléans e Charlevoix, regiões próximas à cidade de Quebec, abrem suas propriedades aos visitantes para apresentar especialidades como queijos e geleias.

Casa nova
Em 1.º de julho, a Fête du Canada comemora a criação do país, em 1867. Há espetáculos e shows de fogos nas cidades canadenses. Em Quebec, também, mas com uma particularidade: o feriado é o Dia da Mudança, quando terminam ou começam os contratos de aluguel ou compra e venda. Não estranhe, então, se topar com um pessoal carregando sofá pelos bairros.

Cerca de 25% dos moradores tiram férias nas duas últimas semanas de julho, segundo informações do governo da província francesa. Tradicionalmente chamada de vacances de la construction (algo como férias para construção; a neve derreteu, é hora de arrumar as ruas), a folga pode resultar em mais visitantes em alguns lugares. Mesmo no restante das outras semanas de clima quente, o movimento é intenso. É alta temporada.

Nada que um sorvete de bordo (o famoso maple) não resolva – a província de Quebec está entre as principais produtoras do xarope. Ao estilo francês, experimente flanar. Andar sem destino e ir esbarrando em beleza. Quando cansar, há sempre uma varanda, uma taça de vinho. A tal alegria de viver. Joie de vivre, à moda de Quebec.

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