Aproveite as montanhas da Venezuela
Conheça as montanhas exóticas do Parque Nacional El Ávila Creative Commons/ Keibert Falcon O script do passeio era promissor: percorrer em um carro 4X4 o Parque Nacional El Ávila, montanha que separa o porto de La Guaira de Caracas e chega a ter 2 mil metros de altitude, e descer de teleférico até a capital […]


Conheça as montanhas exóticas do Parque Nacional El Ávila
Creative Commons/ Keibert Falcon
O script do passeio era promissor: percorrer em um carro 4X4 o Parque Nacional El Ávila, montanha que separa o porto de La Guaira de Caracas e chega a ter 2 mil metros de altitude, e descer de teleférico até a capital da Venezuela. Mas, por falta de condições para que o tour fosse feito como se deve, o programa foi quase decepcionante.
Vista do porto, o mais importante de seu país, La Guaira se mostra pouco atraente, com morros debruçados sobre o mar, recobertos de favelas. Só mesmo a grande quantidade de passageiros que embarca ali parece explicar que o lugar seja mantido no roteiro do cruzeiro.
Basta começar a subida da montanha, cheia de despenhadeiros e curvas em formato de cotovelo, de gelar mesmo o estômago, que a paisagem ganha tons estupendos dos verdes bosques cerrados e do oceano azul (é Caribe ali também, afinal).
Há mirante e uma cachoeira. Mas deu impressão de que os venezuelanos não sabiam muito bem o que fazer com o grupo depois que deram a notícia de que o Teleférico Warairarepano (oesta.do/bondevene; 90 bolívares fortes ou R$ 31, ida e volta), que leva a Caracas, estava fechado para manutenção. A reabertura foi no dia 11 de abril.
Para quem está interessado em saber um pouco sobre a vida do país mais controverso da América do Sul, no entanto, é uma oportunidade. As longas distâncias dão chance para conversa com a guia, Alzira, que fala sobre atuais dificuldades de abastecimento em seu país.
Leite virou artigo de luxo, forma fila nos supermercados que recebem algum suprimento. Óleo e farinha de milho também estão em falta – uma falta decisiva para o dia a dia, já que é com tal farinha que se preparam arepas, tipo de pão local e de boa parte dos povos andinos.
Alzira conta que as arepas de Caracas são mais finas que as dos moradores dos Andes, onde têm um dedo de altura. “As daqui parecem panquecas”.
Povoado
Outro bom momento é a parada nas alturas do povoado de Galipán, a cerca de 1.800 metros de altitude. O lugarejo não é muito além de algumas casas, a escola de onde crianças observam os visitantes, e a igrejinha, centro de boa parte da vida social local. Contam que Galipán vive do plantio de flores, verduras e frutas. E que as amoras dali têm boa fama; o suco que experimentei, por sinal, é dos bons, grosso, concentrado.
Outro petisco local que nos foi dado provar, a cachapa é uma pamonha achatada, grelhada e recheada com queijo. Tem o seu charme, sem ser deliciosa.
Para terminar, lojinha de artesanato, que isso tem em todo lugar (só aceita bolívares fortes). O licor de leite é um dos itens típicos; ao lado, o mercadinho onde se abastecem moradores é mais interessante. Foi dele que trouxe a farinha de milho para tentar em casa a receita de arepas que a guia me ensinou. Saldo do dia: eu queria ter ido a Caracas.
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