Batsheva reinventa Deca Dance em festival brasileiro
Uma coreografia em eterna construção. Há quase 15 anos, a cia. israelense Batsheva reinventa Deca Dance. Desde que estreou, em 2000, a obra incorpora, incansavelmente, trechos de outras coreografias. De tempos em tempos, também traz novas canções que sirvam de trilha sonora. Não está nunca acabada. “Somos completamente livres para mudar, reconstruir tudo o que já fizemos”, comenta o coreógrafo Ohad Naharin, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.


Companhia Batsheva reinventa coreografia Deca Dance
Divulgação
Uma coreografia em eterna construção. Há quase 15 anos, a cia. israelense Batsheva reinventa Deca Dance. Desde que estreou, em 2000, a obra incorpora, incansavelmente, trechos de outras coreografias. De tempos em tempos, também traz novas canções que sirvam de trilha sonora. Não está nunca acabada. “Somos completamente livres para mudar, reconstruir tudo o que já fizemos”, comenta o coreógrafo Ohad Naharin, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.
Aclamado internacionalmente, Deca Dance passará pelo País em maio, quando integrará a programação do festival O Boticário na Dança. Em sua 2.ª edição – a primeira ocorreu em 2013 -, o evento acontece de 29 de abril a 4 de maio, em São Paulo; de 30 de abril a 4 de maio, no Rio de Janeiro, e, dias 5 e 6 de maio, em Curitiba e dias 7 e 8, no Recife.
A exemplo do ano anterior, o festival selecionou algumas companhias nacionais e um destacado time estrangeiro. Na grade, que deve ser anunciada hoje pelos organizadores, estão previstas as presenças da britânica Akram Khan Company, da companhia da canadense Louise Lecavalier e da chinesa TAO Dance Theater.
Fundada em 1964, a Batsheva é um dos destaques dessa programação E comparece com uma das criações mais significativas desses 50 anos de trajetória. A primeira versão de Deca Dance entrou em cartaz em 2000 e se mantém no repertório graças à peculiaridade de seu formato. Concebida para celebrar a primeira década de Ohad Naharin à frente do grupo, a peça mesclava trechos das diversas coreografias que assinava. Só que seu processo de criação permanece se desenvolvendo e oferecendo novas experiências para o público. Pega diversas facetas da trajetória do coreógrafo: traz dos momentos mais intimistas aos mais espetaculares. “Não vou lá atrás pegar coreografias que já foram esquecidas.
Lido com aquelas obras que os bailarinos dominam bem naquele momento. Como isso muda ao longo do tempo, as coreografias que compõem Deca Dance vão sempre se modificando”, argumenta ainda Naharin.
A despeito da simplicidade com que ele descreve o processo, o mecanismo não é trivial. Não existe espaço para improvisação nesse sistema, que é cuidadosamente medido e estudado. Também fica evidente que não basta enfileirar pedaços de várias coreografias para se ter uma obra. É preciso que, em conjunto, elas adquiram um novo sentido.
“Você tem que cuidar dos detalhes, mas nunca pode esquecer o todo. O que me instiga muito quando eu coreografo é tentar encontrar a tensão exata entre os vários elementos. Procuro como essas diferentes coreografias se equilibram, encontrar esse ponto de equilíbrio”, diz o coreógrafo israelense, responsável pela direção artística da Batsheva desde 1990.
A presença de Naharin inaugurou uma nova fase na trajetória da companhia e é, em grande medida, a responsável pela sua atual projeção internacional. O grupo, que completa 50 anos agora, foi fundado em Tel-Aviv pela notável bailarina Martha Graham (1894-1991), com o apoio da baronesa Batsheva de Rothschild (1914-1999).
“Aprendi a coreografar, fazendo. Na verdade, o meu trabalho é me comunicar. Tenho que convencer as pessoas a virem comigo. A acreditar no que eu acredito”, crê Naharin. À frente da cia., ele desenvolveu uma técnica que se tornou uma das marcas de seu trabalho: a Gaga.
O método busca descortinar novas formas de se movimentar, abandonando hábitos e levando o corpo até os seus limites. “É também uma filosofia. Uma maneira de encarar a vida, de fortificar o nosso motor interno”, pontua ele.
Há ainda outra particularidade: a Gaga serve tanto para profissionais quanto para o público em geral. Quando Deca Dance for apresentada no Auditório Ibirapuera, a plateia será instada a subir ao palco. E os dançarinos devem incluir esses “convidados” na coreografia. “Todos podem dançar, têm a dança dentro de si”, defende o diretor.
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