Brasileiro realiza viagem de 10 mil km de carro pelo Leste Europeu

Um brasileiro vai pesquisar qual é o legado do regime socialista na vida de jovens do Leste Europeu. Como? Em uma viagem de carro. Renato Mattar, 27 anos, vai percorrer 22 países em quatro meses, saindo de Berlim e chegando em Moscou, dentro de um Lada 1500s -veículo produzido no período do domínio soviético e nunca importado para o Brasil. O viajante sai do Brasil nesta quinta-feira (24), compra o carro na Polônia e começa viagem em 5 de maio.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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O Parque Nacional de Kazbegi, na Geórgia, um dos destinos do roteiro

Divulgação/Renato Mattar

Um brasileiro vai pesquisar qual é o legado do regime socialista na vida de jovens do Leste Europeu. Como? Em uma viagem de carro. Renato Mattar, 27 anos, vai percorrer 22 países em quatro meses, saindo de Berlim e chegando em Moscou, dentro de um Lada 1500s, veículo produzido no período do domínio soviético e nunca importado para o Brasil. O viajante sai do Brasil nesta quinta-feira (24), compra o carro na Polônia e começa viagem em 5 de maio.

A ideia da viagem “O Leste Num Lada” foi motivada por um intercâmbio de seis meses que o estudante de geografia da USP fez na Lituânia, na cidade de Vilnius, em 2010. “Ter morado lá me deu a chance de conhecer outras cinco ex-repúblicas da URSS e outros tantos países que viveram regimes comunistas me fez entender que, apesar das evidentes semelhanças entre eles, as diferenças são bem marcantes também”, conta Mattar em entrevista por e-mail ao Meon.

Além da Lituânia, por lá conheceu, num mochilão de 66 dias, Macedônia, Albânia, Montenegro, Sérvia, Bulgária, Romênia, Hungria, Eslováquia, Áustria e Eslovênia, destinos que vão estar no roteiro da viagem do Lada.

Mattar, que é paulistano, mas viveu a adolescência em Tremembé, avisa que não usa GPS, vai oferecer caronas e atravessar estradas vicinais, deixando de lado as grandes rodovias, para “mostrar um pouco mais a paisagem e o dia-a-dia das pessoas”.

“Poucas serão as cidades turísticas no roteiro, muito por conta de não ser o tema da viagem e também por serem locais mais caros, especialmente no verão”, explica Mattar, que guardou o dinheiro da viagem durante três anos e dispõe de 20 euros, em média, para sobreviver em cada dia. Ainda prevê uma economia de mais de 1400 euros em hospedagem, pois vai ficar em lugares oferecidos por membros da rede social CouchSurfing, que recebem viajantes em suas casas sem cobrar nada.

Junto da observação dos traços históricos marcantes de cada região da antiga União Soviética, a pesquisa de Mattar também aborda as diferentes perspectivas de um regime ditatorial. “Uso minha geração como exemplo, apesar de não ter vivido a Ditadura brasileira, formei minha opinião a respeito”, afirma. “E com o marco dos 50 anos do Golpe[Militar], podemos ver que muitas pessoas que não viveram a Ditadura possuem opiniões das mais diversas sobre isso. E por lá [no Leste Europeu] acontece a mesma coisa, porém com o regime comunista”.

Mattar ainda não tem nenhuma expectativa em relação às respostas dos entrevistados. “Parto na espera de encontrar a maior quantidade possível de opiniões”. A viagem termina no dia 5 de setembro e vai ser registrada no blog O Leste Num Lada

Abaixo, veja o stop-motion do roteiro da viagem:

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