Bruxos modernos garantem: não há nada o que temer na sexta-feira 13
Para praticantes de religiões pagãs, data não tem nada a ver com azar


Mito do gato preto faz parte das crendices da sexta 13
Divulgação
Mal sobrevivemos a um halloween e, menos de duas semanas depois, já temos que encarar pela frente uma sexta-feira 13. É de se imaginar mesmo que a bruxa está solta neste final de ano. Mas e quanto aos bruxos, o que eles diriam sobre a tal sexta-feira do azar?
Ouvimos alguns dos bruxos modernos e a resposta… bem, a resposta é frustrante. Na verdade, até mesmo para quem pratica a bruxaria, a sexta-feira 13 não passa de crendice e essa história de azar, gato preto, sal grosso é pura balela.
O mito da sexta 13 na verdade é de origem desconhecida, mas há diversas explicações possíveis. A mais difundida atualmente é relacionada à Santa Ceia, quando os doze apóstolos e Jesus (13 ao todo) sentaram-se à mesa numa sexta-feira antes de Jesus ser crucificado. Em muitos países, o número 13 é sinal de mau agouro. Na França, por exemplo, há um serviço de 14º acompanhante em alguns restaurantes, pois 13 pessoas reunidas ao redor de uma mesa é considerado sinal de azar. Soma-se isso a alguns outros fatores: no tarot, o arcano XIII é A Morte e, na cultura egípcia, o número era o estágio associado à morte após os 12 estágios da vida.
Quanto à sexta-feira, a astróloga Letícia Helena C. Santa Cruz, de São José dos Campos, afirma que a fama de dia do azar foi difundida pela Igreja Católica como artifício para macular um dia associado e dedicado às deusas femininas pelas religiões pagãs.
“A sexta-feira, Friday em inglês, tem seu nome relacionado a Frigga, a grande mãe da mitologia nórdica, associada à fertilidade e ao sexo. Em espanhol, Viernes; em latim, veneris dies: ambas palavras remetem a Vênus, deusa romana do erotismo, da sedução e da beleza, que também dá nome ao planeta Vênus, regente das sextas-feiras. Por isso é há quem diga que o cristianismo associou sexta-feira ao dia da crucificação para relacionar a data com essa aura de azar”, explica.
Herança Medieval
Ao pesquisar sobre as superstições da sexta-feira 13 o mais impressionante é constatar o poder de um mito. A maioria das crendices relacionadas ao dia datam lá da longínqua idade média. Época em que cruzar com um gato preto, por exemplo, começou a ser taxado como um sinal de infortúnio.
“O gato por ser uma criatura soturna, de hábito livre, já tinha sua figura associada a essa questão da desconfiança. Agora você imagine um gato preto, cuja cor o esconde na escuridão. Nas andanças pela mata escura, só o que se via eram aqueles olhos amarelos, algo amedrontador. E o medo, aliado à falta de conhecimento, é terreno fértil para a criação dessas lendas”, explica o cartomante e praticante de bruxaria Emanuel J. Santos.
Para Santos, por mais que a atmosfera seja de terror, o conselho para a data é preocupar-se mais com o seu estado de espírito do que propriamente com as superstições. Pode passar debaixo de escada, cruzar com gato preto, quebrar espelho. Se a cabeça estiver em paz, todo mundo sai ileso.
” O que existe é um momento no qual a cabeça não está no lugar e as pessoas se sentem desamparadas . Aí qualquer crendice vira motivo para pânico. Minha dica é: se não está se sentindo bem, se está com medo de algo de ruim acontecer, medite um pouco, acenda uma vela para seus ‘parceiros espirituais’. Faz bem sentir-se protegido”, conclui.
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