Cinco motivos para ir e cinco para não ir ao Carnaval de São Luiz
Após visitar a festa, reportagem do Meon separou lista com prós e contras


Carnaval luizense ainda é uma festa familiar?
João Pedro Teles/Meon
Um dos mais importantes Carnavais do país, a festa das marchinhas em São Luiz do Paraitinga foi, por mais um ano, o principal endereço da folia no Vale do Paraíba. Apesar do peculiar encanto que a celebração exerce nos cerca de 150 mil foliões que visitam a cidade durante o período, cresce entre artistas, moradores e foliões mais antigos a sensação de que a tradição de chitas, bonecões e o clima familiar está perdendo espaço.
Em 2008 a festa luizense foi destaque no New York Times. A matéria ressalta que um decreto oficial proíbe a difusão de “ritmos mais modernos como o samba e o axé”. Os tempos mudaram desde então. A propagação de ritmos como sertanejo e funk nas caixas de som que dão das janelas das casas para as ruas, o excesso de lixo na cidade e o abuso do álcool já fazem alguns comerciantes e moradores repensarem sobre os rumos do carnaval caipira.
A reportagem do Meon esteve em São Luiz durante todos os dias de festa e separou cinco motivos para continuar frequentando e outros cinco para deixar de ir ao Carnaval. Confira nossa lista abaixo.
Por que ir?
1 – Marchinhas
As marchinhas de São Luiz do Paraitinga são o maior atrativo do Carnaval. São canções diferentes de tudo o que é produzido no gênero. Abrangente, o estilo engloba também outras influências chegando em um resultado variado e irresistível.
2 – Gratas surpresas
Algumas coisas a gente só encontra no Carnaval de São Luiz. Como um show com a cantora luizense Patrícia Guimarães na calçada da rua Benfica para quem quisesse chegar. Ou quando, depois do fim da programação, em plena madrugada de terça-feira, um cortejo com os músicos que fazem o Carnaval luizense sai pelas ruas da cidade numa homenagem aos primórdios do bloco Maricota.
3 – Democrático
Os blocos de São Luiz do Paraitinga são para todos. Privilégios apenas para os bonecões e integrantes ficarem à vontade para desfilar dentro da corda. De resto, a energia é para todo mundo: sem abadá e sem camarotes.
4 – História
Mais do que animar os foliões, as marchinhas do Carnaval são crônicas dos costumes da população da cidade e revelam muito sobre um povo que se expressa por meio da música. Vale ir atrás das origens de suas canções preferidas.
5 – Concentração dos blocos
A concentração de cortejos como os blocos do Caipira, Juca Teles ou Pé na Cova são a verdadeira essência do que é Carnaval. Do chão, as charangas entoam marchinhas repletas de histórias, que partem de diferentes lugares da cidade rumo ao trio elétrico para ganhar a multidão no circuito oficial da festa.

Juca Teles arrastou 30 mil foliões neste ano
João Pedro Teles/Meon
Por que não ir?
1 – Descaracterização
A cidade atualmente paga o preço pelo grande crescimento de seu Carnaval. São mais de 150 mil pessoas por ano e a impressão é de cada ano menos turistas importam-se com a história da festa.
2 – Fora do tom
Passear pelas ruas pode ser um martírio para quem se apaixonou pelas marchinhas da cidade. Funk, axé e sertanejo ecoam das casas, dividindo espaço com as marchinhas.
3 – Praça do coreto
O belo cartão postal da cidade sofre com o mau cheiro e a sujeira. Já na ponte que dá acesso à cidade, flagramos cenas latentes de desrespeito ao patrimônio público.
4 – Circuito de som
Sem as caixas de som ao longo do trajeto dos blocos, quem fica longe do trio elétrico acaba tendo a experiência prejudicada
5 – Fiscalização
A fiscalização contra os atos de depreciação ao patrimônio ou para que se respeite o decreto oficial de que as marchinhas são o ritmo luizense poderia ser mais atuante para defender a essência da festa.
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