Comer ou não comer. Eis a questão!

Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Embora a porcentagem de vegetarianos venha se mantendo mais ou menos estável ao longo da história, há um interesse crescente no assunto – restaurantes naturais e vegetarianos […]

Escrito por: Meon Redação8 min de leitura
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Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Embora a porcentagem de vegetarianos venha se mantendo mais ou menos estável ao longo da história, há um interesse crescente no assunto – restaurantes naturais e vegetarianos ficam lotados na hora do almoço, tornou-se comum, pelo menos nas classes médias urbanas, a preocupação em reduzir o consumo de carne, e surgiu uma indústria bilionária de produtos naturais que, nos Estados Unidos, já movimenta quase 8 bilhões de dólares.

Não estou ensina você a comer. Felizmente, essa ainda é uma decisão pessoal, que depende apenas do seu julgamento sobre o que é certo e o que é errado e – não menos importante – do seu gosto. O que faço é tentar ajudar na decisão com o máximo possível de informação insuspeita sobre cada um dos muitos aspectos envolvidos nessa importante decisão. Se você, depois de ler, vai devorar um brócolis ou um cheeseburger, já não é assunto meu. Só espero que, terminado o texto, ao decidir o que comer você saiba o que está fazendo e o que isso implica.

O que é a carne?
A faca desce macia, cortando sem esforço o pedaço de picanha. Dourada e crocante nas bordas, tenra e úmida no centro. Você põe a carne na boca e mastiga devagar, sentindo o tempero, a maciez, a temperatura. O sumo que escorre dela enche a boca e, com ele, o sabor incomparável. Carne é bom.

Mas que tal assistir à mesma cena sob outra perspectiva? No prato jaz um pedaço de músculo, amputado da região pélvica de um animal bem maior que você. Com a faca, você serra os feixes musculares. A seguir, coloca o tecido morto na boca e começa a dilacerá-lo com os dentes. As fibras musculares, células compridas – de até 4 centímetros – e resistentes, são picadas em pedaços. Na sua boca, a água (que ocupa até 75% da célula) se espalha, carregando organelas celulares e todas as vitaminas, os minerais e a abundante gordura que tornavam o músculo capaz de realizar suas funções, inclusive a de se contrair. Sim, meu caro, por mais que você odeie pensar que a comida no seu prato tenha sido um animal um dia, você está comendo um cadáver.

Carne é tecido animal, em geral muscular. As fibras que a compõe são feixes de células musculares, enroladas umas nas outras. Em volta delas há uma cobertura de gordura, cuja função é lubrificar o músculo e permitir que ele relaxe e se contraia suavemente. Ou seja, não há carne sem gordura.

A diferença entre carne branca e vermelha é a quantidade de ferro no tecido – o mesmo mineral que dá cor ao sangue. As células de animais grandes, como o boi, são ricas de uma molécula chamada mioglobina, que contém ferro. Peixes e galinhas, por terem o corpo menor, não precisam de reservas tão grandes de nutrientes nas células e, por isso, têm menos mioglobina. Animais mais velhos têm carne mais vermelha – isso explica a brancura do frango industrializado, abatido antes dos dois meses, se comparado à galinha caipira. Essa última tem mais tempo para acumular mioglobina nas células.

O gado ao ser abatido (na maioria das vezes com porretadas na cabeça), libera na corrente sanguínea uma grande quantidade de adrenalina, em razão do medo e da situação de perigo em que se encontra.

Essa adrenalina, uma vez no corpo humano, transforma-se em endrenocromo e posteriormente em adrenolutina, que são substâncias capazes de causar numerosos distúrbios nervosos e afetam não somente a nível bioquímico como também energético, bloqueando, por exemplo, a fluidez da energia Cósmica através dos canais sutis chamados Meridianos.

Dentre os distúrbios nervosos podemos classificar alguns mais comuns: irritação, brutalidade, nervosismo sem causa aparente, depressão, angústia, insônia, medo, etc., os mesmos sintomas causados pelo stress da vida moderna.

O gado recebe doses muito grandes de vacinas e não se podem avaliar as perturbações que as reações imunitárias do gado contra as doenças, podem causar ao organismo humano.

A carne bovina, principalmente da vaca, contém hormônios próprios ao seu metabolismo e de sua característica física. Esses hormônios determinam uma série de distúrbios hormonais relacionados: masculinização, crescimento de pêlos, desequilíbrio menstrual, abortos prematuros e outros problemas bastante conhecidos, causados principalmente pela progesterona e pelo estrogênio, presentes na carne da vaca. No homem fica fácil imaginar o que podem desencadear hormônios dessa natureza quando se usa de carne em excesso.

O uso excessivo de carne causa um acúmulo nas vias digestivas, produzindo a proliferação de bactérias patogênicas que podem provocar focos infecciosos e intensa putrefação intestinal. Assim, o ambiente intestinal fica propício à apendicite, colite, constipação intestinal (prisão de ventre) e muitas outras doenças. A carne bovina é muito fibrosa e grande parte do seu peso é eliminado, dando antes muito trabalho ao organismo para metabolizá-lo e transportar seus restos para a excreção. Com isto, há maior desgaste orgânico e consequentemente uma diminuição do tempo de vida e do tônus do aparelho digestivo, além do que a produção muito acentuada de enzimas proteolíticas causa intenso desgaste orgânico. Talvez seja por esse motivo pelo qual um animal carnívoro viva menos tempo do que um herbívoro.

Nos entrepostos, é acrescentada à carne uma substância capaz de causar a esterilidade e a impotência no homem, além de ter também propriedades altamente cancerígenas; é o nitrino de sódio, usado para tornar a carne vermelha (para dar um bom aspecto, pois a carne é cinza e feia) e aceitável pelo consumidor.

É sabido que a carne é muito rica em gorduras, principalmente, as gorduras saturadas e de difícil metabolização. É óbvio então, que o uso excessivo provoca acúmulo de gorduras no organismo, causando obesidade, deformidade estética e comprometimento do sistema cardiovascular pela terrível ação do colesterol.

Todos os problemas aqui observados em relação à carne bovina, também o são em relação à carne de porco, que é muito mais gordurosa e cheia de toxinas. Ambas porém, quando ingeridas mal cozidas podem causar ao homem a teníase (solitária) pois é comum encontrar ovos de Tênia Sólium (no porco) e de Tênia Saginata (na vaca) nos tecidos doentes animais.

Além disso, o portador de uma Tênia, afora os distúrbios digestivos, da fraqueza e dos incômodos que esta pode causar, corre o risco de adquirir uma doença muito pior: a cisticercose, capaz de criar sérios problemas no Sistema Nervoso Central, no coração, nos músculos, e em muitos órgãos, podendo levar inclusive à loucura se um cisticerco (ou larva) atingir estruturas nobres no cérebro.

A carne de frango (galinha) também possui altas doses de hormônio feminino, (para engordar), e sendo tratadas em ambientes fechados, com luz artificial 24 horas por dia, sua carne possui resíduos tóxicos prejudiciais ao organismo humano.

Os peixes, crustáceos, por viverem em mares altamente carregados por resíduos nucleares (radioativos), hoje também não são indicados ao consumo humano. Outro inconveniente é o fato de ser um tipo de carne que entra em estado de putrefação rapidamente, enchendo o organismo de perigosas toxinas.

O planeta precisa de carne?
Na verdade, se todos fossem vegetarianos, é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da Terra. Uma vaca, num único gole, bebe até 2 litros de água. Num dia, consome até 100 litros. Para produzir 1 quilo de carne, gastam-se 43 000 litros de água. Um quilo de tomates custa ao planeta menos de 200 litros de água.

Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos do mundo vira comida de vaca. No Brasil, o gado quase não come grãos – graças ao clima é criado solto e se alimenta de grama. Mas boa parte da nossa produção de soja, uma das maiores do mundo, é exportada para ser dada ao gado. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano haveria lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.

E não se trata só de comida. A pecuária esgota o planeta de outras formas. Para começar, ocupa um quarto da área terrestre e não para de se expandir. A pressão para a derrubada das florestas, inclusive a amazônica, vem em grande parte da necessidade de pasto.

Entre os danos ambientais causados pelo gado, está também o aquecimento global. Os gases da flatulência de bois e ovelhas – não, isso não é uma piada – estão entre os principais causadores do efeito estufa.

E o que fazer a respeito?
Há uma verdade inescapável: ao comermos carne, somos indiretamente responsáveis pela morte de seres que têm pai, mãe, sofrem, sentem medo. “Os vertebrados sentem dor”. Isso é um fato e, se você pretende continuar comendo carne, é bom se acostumar com ele.

Mas podemos ao menos minimizar o sofrimento, escolhendo comidas que impliquem em menos crueldade.

Agora é com você. O que vai ser? Brócolis ou cheeseburger?

Qualquer duvida, esclarecimento e para um bom bate papo, meu e-mail é: [email protected]. Abraços e até a próxima. Igor Bakos.


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