Como viajar pela Toscana sem alugar carro e circular pelas cidadezinhas
É fácil, divertido e bem mais econômico circular pelas cidades medievais


LA igreja de Santa Croce é uma dos maiores templos de Florença
Alessandro Bianchi/Reuters/Estadão Conteúdo
Nem só de Vespas e Cinquecentos alugados vive o turismo da Toscana, terra de vinhedos e cidades medievais no centro-norte da Itália. Quem não pode ou não quer alugar um veículo não precisa abrir mão de conhecer a região, que tem uma rede de ônibus intermunicipais ampla, ainda que pouco conhecida. É possível e até prazeroso explorar as chamadas comunas a bordo do bom e velho coletivo. Mochila nas costas, escolha o roteiro e divirta-se.
A Toscana recebeu mais de 7 milhões de turistas estrangeiros em 2015, o que representa 13% do volume de visitantes de todo o país, de acordo com a Agência Nacional do Turismo da Itália. São quase 290 cidades, vilas e vilarejos em que o tempo parece andar mais devagar.
No planejamento da viagem, as escolhas se basearam em indicações de conhecidos e em fotos encontradas em pesquisas pela internet. Para 12 dias na região, procuramos saber quanto tempo seria recomendável em cada cidade que nos interessava.
Na prática, descobrimos que explorar a Toscana sem carro não é difícil – só requer paciência e disposição para acordar cedo e não perder o dia viajando.
O ponto de partida foi Florença, a capital da Toscana. Veja detalhes sobre os trajetos de ônibus no site da Companhia Toscana de Transportes (bit.ly/onibuspisa).
Florença: quatro dias
O primeiro dia foi todo dedicado a caminhar livremente pelas ruas estreitas do centro histórico, passando pela praça do Duomo e do Batistério de São João, onde Dante Alighieri foi batizado no século 13. A entrada é gratuita; para subir até a cúpula e o campanário e visitar o batistério, o ingresso custa por € 15 (bit.ly/visitaflorenca).
Na Piazza della Repubblica ficamos por quase uma hora sentados nos bancos de pedra, admirando crianças que brincavam em um carrossel e tomando um gelato florentino, antes de seguirmos pela Via Calimala até a Fontana del Porcellino, onde fica um mercado popular que vende de tudo. Dali, fomos para a icônica Ponte Vecchio, que cruza o Rio Arno e é o cartão-postal de Florença; o Corredor Vasari foi projetado pelo arquiteto Giorgio Vasari para que a família Medici pudesse ir do Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti com segurança e sem encontrar a plebe.
No segundo dia, a caminho do Jardim de Boboli, encontramos uma das casas em que viveu Galileu Galilei (Costa San Giorgio, 19). Atualmente, ela tem na fachada uma foto do cientista e astrônomo nascido em Pisa, além de uma placa de mármore. A entrada para o Jardim de Boboli fica no Palazzo Pitti. O ingresso de € 13 dá direito a visitar cinco museus do complexo (bit.ly/cincomuseus)
As outras igrejas de Florença ficaram para o terceiro dia: além do Duomo, Santa Maria Novella, San Lorenzo, Santa Croce, San Miniato e Santo Spírito.
No quarto e último dia decidimos fazer um tour inspirado em Dante. O poeta italiano viveu na cidade e diversas placas de mármore espalhadas por todo o centro histórico têm trechos da Divina Comédia entalhados. Há um museu onde se acredita que tenha sido sua casa. A entrada custa € 4 (Via Santa Margherita, 1); em frente há um busto do escritor na calçada de pedra. Ao lado está a igreja em que Dante teria conhecido sua amada Beatriz.
Também no último dia, conversamos com donos de lojinhas da cidade sobre um personagem muito famoso criado por um escritor florentino: Pinóquio. O boneco de madeira está por toda parte. Terminamos o dia vendo o pôr do sol no Piazzale Michelangelo.
Pisa: rápida visita à torre
No nosso roteiro, Pisa era só isso mesmo, uma parada rápida. Assim, pegamos na Via Bonanno Pisano, em frente à praça da torre, um ônibus em direção à estação Pisa Centrale, de onde caminhamos 5 minutos até a estação de Pisa Sesta Porta. Compramos as passagens para Volterra, cidade de 3 mil anos que fica no alto de uma colina. Duas horas e meia, 6,05 euros por pessoa e uma baldeação depois, chegamos.
O site da Companhia Toscana de Transportes (bit.ly/onibuspisa) tem detalhes sobre os ônibus.

Vista desde a Torre dei Priori, na área histórica de Volterra. Dali, faça um bate-volta a San Gimignano
Felipe Mortara/Estadão
Volterra: um dia e meio
À esquerda da rodoviária improvisada, um mirante tem vista belíssima para os campos da Toscana. À direita, andando pelas vielas milenares, chega-se à praça da prefeitura, à igreja e a um antigo castelo que, hoje, é usado como prisão de segurança máxima.
A cidade é conhecida por seu trabalho com o alabastro, um tipo de pedra usado para fabricar itens de decoração e joias. As lojas dos artesãos estão espalhadas por toda a cidade. É um privilégio poder vê-los transformar pedaços de pedra em obras de arte.
Termine o dia visitando o Teatro Romano de Volterra, ruínas que podem ser vistas de cima ou bem de perto, sem pagar ingresso.
Use Volterra como base para, no segundo dia, ir a San Gimignano e Monteriggioni. O Centro de Informações Turísticas vende as passagens, a € 3,20 para San Gimignano e € 3,85 para Monteriggioni. Depois das visitas, volte para dormir em Volterra ou siga diretamente para Siena.
Siena: quatro lindos dias para encerrar
Com 50 mil habitantes, Siena tem ruas ótimas para se perder. Foi assim que, já no primeiro dia, descobrimos lugares como a Fontebranda, ou “fonte que fala”. A água muito azul foi citada por Dante em seu Inferno, na Divina Comédia, e rende fotos incríveis.
No segundo dia, passamos várias horas sentados na Piazza del Campo, onde é disputado o Palio de Siena, corrida de cavalos que tem séculos de história. No terceiro dia, a caminho da Catedral de Siena, fomos surpreendidos por uma fanfarra animada que serpenteava pelas ruas. Era um convite para a missa em uma das igrejas da cidade. A Catedral é toda revestida de mármore branco e verde que, de longe, parece preto. A entrada custa a partir de € 9 (bit.ly/catedralsiena).
Há quem diga que o melhor gelato da Itália está em Siena, pertinho da Piazza del Campo, na Grom, que fica na Via Banchi di Sopra, 11. Não deixe também de comer uma “pizza al taglio” – pizza vendida por quilo – no Consorzio Agrario di Siena (na Via Pianigiani, 5). São vários sabores e as pizzas estão sempre quentes e frescas.

Piazza del Campo, praça principal onde é realizada a corrida de cavalos Palio de Siena
Max Rossi/Reuters/Estadão Conteúdo
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