É possível ter qualidade de vida após o diagnóstico de um câncer?
Mesmo com o avanço da medicina e a utilização de novas tecnologias no tratamento do câncer, a descoberta da doença pode causar não só mudanças físicas como também psicológicas, já que a maior parte das pessoas encara o tratamento de forma negativa.

Mesmo com o avanço da medicina e a utilização de novas tecnologias no tratamento do câncer, a descoberta da doença pode causar não só mudanças físicas como também psicológicas, já que a maior parte das pessoas encara o tratamento de forma negativa.
A boa notícia é que a oncologia evoluiu e disponibiliza tratamentos diferentes e personalizados para cada paciente, aumentando as chances de cura e melhorando a qualidade de vida.
O especialista do Vale do Paraíba em Oncologia Ortopédica, Dr. Marco Mercadante, conta que apesar da reação de cada pessoa ser diferente, a maior parte delas recebe a notícia com a sensação de negação, ou seja, contesta o diagnóstico e sai do consultório sem aceitar o fato e que demora, em média, uma semana para reagendar a consulta e começar o tratamento. “É preciso que o médico explique tudo direitinho e detalhadamente para o paciente e família, mas ainda assim percebo uma grande negação. É importante confortar o paciente. Esse tempo de uma semana é necessário para aceitar a ideia, ouvir uma segunda opinião e procurar informações a respeito do diagnóstico”, afirma.
A tecnologia permite que antes de determinar qualquer mudança no estilo de vida, se entenda que há uma grande diferença entre o tratamento quimioterápico conduzido hoje e o que se fazia há vinte anos. Atualmente, existem diversos recursos para evitar a grande maioria dos efeitos colaterais da quimioterapia, podendo tornar a toxicidade aceitável para o paciente.
Além disso, o desenvolvimento de recursos como tomografia, ressonância magnética e a combinação de duas técnicas de geração de imagens avançadas (o PET-CT) possibilitam identificar a localização e a extensão do câncer e, assim, planejar a terapia focando apenas o tumor, protegendo os órgãos e tecidos próximos.
No caso do câncer ósseo, que tem um tratamento extenso, as principais recomendações médicas para o paciente manter sua qualidade de vida são seguir corretamente os protocolos oncológicos, com acompanhamento nutricional, e sempre conversar e tirar dúvidas que surgem ao longo do processo. “O tratamento do câncer ósseo é longo e envolve diferentes etapas. No tratamento do osteossarcoma, por exemplo, o paciente passará por um longo período de quimioterapia (seis meses) para depois ser submetido a um procedimento cirúrgico de grande porte, que às vezes envolve amputações, e após isso será feita a quimioterapia pós-operatória”, afirma Marco Mercadante.
Alimentação
Quanto à alimentação, o especialista conta que é necessário um acompanhamento com nutricionistas especializados, pois o tratamento pode ocasionar dificuldade de alimentação, anemia e baixa imunidade. “A boa alimentação não só garante uma melhor qualidade de vida ao paciente como facilita a realização do procedimento cirúrgico e sua recuperação pós-operatória”, afirma
Pós-operatório e recidiva
Infelizmente só é tido como curado aquele paciente que após cinco anos do tratamento completo não apresente qualquer sinal de reaparecimento da doença. Mesmo após esse período pode acontecer da doença voltar.
“A grande recomendação para os pacientes que estão na fase de cura é praticamente a mesma que fazemos para todos os pacientes: o diagnóstico precoce. Essa é a melhor arma que temos para um bom resultado e aumenta a chance de cura. No caso dos pacientes que já passaram pelo tratamento, devemos ficar atento aos sinais de reaparecimento da lesão. Mesmo após o tratamento completo do câncer ósseo, a maior parte dos pacientes fica com alguma limitação funcional, já que os pacientes com câncer ósseo primário são submetidos a cirurgias de grande porte, mas todo o processo de cura objetiva permitir que o paciente volte a seguir sua vida o mais próximo do que era antes do tratamento”, conta Marco.
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