Há 46 anos na UTI, nerd vai acamado mesmo à Comic Con Experience

Com poliomielite, Paulo Machado é roteirista e lançou animação em 2014

Escrito por: João Pedro Teles2 min de leitura
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Após lançar curta de animação, Paulo exibe a credencial de expositor

João Pedro Teles/Meon

Vítima de paralisia infantil, o paulistano Paulo Henrique Machado, 48, vive há 46 anos preso a um aparelho de respiração artificial na UTI do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Mesmo assim, as dificuldades impostas pela doença, contraída quando ainda tinha  1 ano de idade, não são impedimento para que o paulistano faça o que mais ama: acompanhar suas animações e quadrinhos preferidos.

Paulo já é uma figurinha carimbada entre os profissionais do meio. Já conheceu Carlos Saldanha (brasileiro diretor de A Era do Gelo) e foi convidado pelos organizadores da Comic Com Experience para dar um passeio pelos estandes, encontrar os ídolos e angariar alguns autógrafos em suas HQs preferidas.

Convite aceito, Paulo foi, acamado mesmo, para a convenção nerd. Sua ida mobilizou enfermeiros e amigos, todos propriamente vestidos com fantasias do universo Star Wars. Ligado ao tubo de oxigênio, o paulistano comemorava o autógrafo de Maurício de Souza, homenageado nesta sexta-feira (4).

“Sou um nerd viciado em games, quadrinhos e animações. Sem falar dos filmes, é claro. Tem muita gente que eu quero conhecer aqui, mas especialmente a Evangeline Lilly (Lost, O Hobbit e Homem-Formiga). Sou fã do trabalho dela”, explica.

Roteirista
Mais do que fã dos convidados desta edição do evento, Paulo é também um colega de profissão das pessoas envolvidas com o mundo do entretenimento. Em 2014, o paulistano lançou sua primeira animação de curta metragem, “Brincadeirantes”. Com cerca de dez minutos de duração, o trabalho é baseado na própria história e na dos amigos, vizinhos de cama no HC.

Do hospital, Paulo concluiu o ensino médio e se formou no curso de roteirista  e de computação gráfica pelo Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). A animação tornou-se realidade graças a um processo de financiamento por meio de crowndfounding, que arrecadou R$ 120 mil.

O filme conta a história de um cadeirante em visita ao Palycenter. Mas, ao invés de conseguir brincar como as outras crianças, o personagem criado por Paulo só consegue ganhar brinquedos como uma espécie de prêmio de consolação (assista o vídeo abaixo).

Neste caso, ainda bem, a vida não imita a arte. Com um sorriso que não sai do rosto, o paulistano abre caminho em meio nos corredores abarrotados da feira para sentir a euforia de ser mais um geek atrás de seus ídolos.

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