Orquestra infantil abre inscrições no Complexo da Maré
Estão abertas até o dia 30 deste mês, as inscrições para a Orquestra Maréimbau, para crianças de 7 a 14 anos de idade moradoras no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. São oferecidas 40 vagas para aprender a tocar violino, violoncelo, flauta, clarinete e percussão, em aulas gratuitas, dadas pelo maestro Ricardo Mirapal

Estão abertas até o dia 30 deste mês, as inscrições para a Orquestra Maréimbau, para crianças de 7 a 14 anos de idade moradoras no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. São oferecidas 40 vagas para aprender a tocar violino, violoncelo, flauta, clarinete e percussão, em aulas gratuitas, dadas pelo maestro Ricardo Mirapalheta, idealizador do projeto e fundador da organização não governamental (ONG) Instituto Staumbor, ambos criados em 2007.
Segundo o maestro, trata-se de um trabalho multiplicador, de inclusão social. Nesses dez anos, recorda Mirapalheta, alunos que começaram a aprender música aos 7 ou 8 anos de idade permaneceram estudando com intenção de fazer carreira artística.
Mirapalheta começou a atuar no Complexo da Maré organizando cafés culturais em conjunto com a associação de moradores, arregimentando, na comunidade, crianças interessadas. Ele trabalha para que a orquestra, um dia, chegue ao nível profissional.
Apesar de o projeto ter o patrocínio de três empresas privadas (Concessionária Lamsa, Linha Amarela e Instituto Invepar), Mirapalheta diz que existem dificuldades para continuar o trabalho. “O talento das crianças fortalece a orquestra”, diz o maestro, que vem formando duos, quartetos e quintetos de músicos infantis.
O balanço dos dez anos de existência mostra que a orquestra ganhou credibilidade na comunidade, que assiste a apresentações periódicas dos pequenos músicos no Morro do Timbau. Segundo o maestro, esses concertos didáticos servem não só para as famílias das crianças conhecerem e valorizarem o projeto mas, principalmente, para estimular a criação de um movimento cultural na comunidade, “até de pacificação”.
Socialização
As aulas ocorrem às terças e quintas-feiras, a partir das 14h30, no Instituto Staumbor, em Bonsucesso, onde os interessados podem se inscrever. A orquestra faz parte agora do projeto Eco Fonia, da ONG, que busca integrar o estudo da música e da ecologia, baseado na harmonia e na estética dos valores naturais.
“A ecologia humana já se desdobra em uma contemplação bem maior”, comenta Mirapalheta. O aprimoramento dos alunos da orquestra será facilitado com a criação da Camerata Eco Fonia, que funcionará em espaço cedido pelo Clube Ginástico Português, no centro da cidade.
“Desenvolver um trabalho com crianças, envolvendo os lados disciplinar de comportamento e educação, para depois entrar o lado artístico e ter o fino trato, é um trabalho extensivo, de continuidade, que transforma realmente e ensina a ter o gesto musical”, declara o maestro. Por meio de livros que leva às aulas, ele tenta transmitir às crianças a importância da arte e do desenvolvimento do raciocínio, baseado em conhecimentos diversos.
Representatividade
Segundo Mirapalheta, seu principal objetivo é formar uma orquestra representativa do Complexo da Maré, com um espaço fixo para concertos, e multiplicar essa ideia. O maestro foi convidado a implantar o projeto nas comunidades da Providência, de Cabritos, do Santíssimo e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. “Têm alunos que foram para outros lugares, abriram pequenos grupos. É um trabalho multiplicador que tem essa preocupação de, a partir dessa vibração, dar um diferencial para os alunos entenderem a vida”, ressalta.
O projeto recebeu o Prêmio Territórios da Cultura da Secretaria de Cultura do Município do Rio de Janeiro pelos concertos didáticos promovidos na comunidade. A orquestra também promove sessões culturais na creche e na escola de ensino fundamental da Maré.
Posts Relacionados

Fundação Cultural de São José disponibiliza guia online com programação de setembro

Mário Toledo lança segundo livro como coautor em São Paulo na semana de abertura da Bienal do Livro

Carmo Dalla Vecchia e Vanessa Gerbelli falam sobre a peça “Forever Young” no Meon Entrevista
