Parque estadual de Botsuana tem a maior população de elefantes do mundo

Com porta de entrada em Kasane área tem mais de 11.700 quilômetros quadrados de extensão

Escrito por: Bruna Toni3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
1435600689985

Com porta de entrada em Kasane área tem mais de 11.700 quilômetros quadrados de extensão

Divulgação

Dumelang é a expressão africana para desejar a alguém um dia bom. Mas a palavra não pode ser apenas jogada no ar, como quem diz “oi” sem olhar nos olhos. Chega a nossos ouvidos – e, inexplicavelmente, à nossa alma – por meio de um canto afinado, seguido de um grito fino e feminino de celebração

Foram incontáveis as vezes que ouvi a palavra durante os dez dias em que viajei pelo norte de Botsuana, país no sul da África que, além das línguas oficiais setsuano e inglês (fruto da colonização inglesa até 1966), ainda mantêm no repertório a comunicação tribal.

A linguagem, assim como cada detalhe da cultura e dos costumes, estão atrelados ao que o país tem de mais atrativo turisticamente: sua natureza. Compreender o que significava “um dia bom” exigiu, obrigatoriamente, o desprendimento de algumas certezas – como, aliás, quase tudo nesse destino de luxo selvagem.

Esqueça a ostentação. No meio da savana, raramente haverá Wi-Fi e TV. O despertador é um grito dado pelo guia na porta das grandes tendas que servem como quartos, e, em certos momentos, você terá de esquecer que energia elétrica já existe. A recompensa vem nos diversos tipos de safáris (a pé, de barco ou de carro, o chamado game drive): os bichos. Os mais cobiçados são os big five – leão, rinoceronte, búfalo, elefante e leopardo -, e tentar calibrar o olhar para buscá-los entre os campos dá uma emoção extra à aventura.

O que oferecem os lodges e camps, hospedagens que recebem turistas em áreas de parques nacionais ou em reservas privadas, cujas concessões são feitas em troca da preservação do local por até 15 anos, está ligado a um conceito próximo ao que Ralph Bousfield, dono de um camp no deserto do Kalahari, define como “luxo ao contrário”. A proposta, segundo ele, é garantir uma vivência pela qual quem sempre teve de tudo nas metrópoles nunca passou. Tudo, claro, com serviço classe A e preço idem.

Panoramas

Nosso roteiro cruzou diferentes hábitats entre Kasane e Maun: da água em abundância no Delta do Okavango à aridez do Deserto do Kalahari. Entre esses panoramas tão distintos, lembrei do divertido Madagascar. Na animação, Marty, a zebra insatisfeita, tinha mesmo motivos para querer fugir do zoológico de Nova York. A vida na selva, afinal, é muito mais emocionante. E assume contrastes que nós, mulheres e homens dos grandes centros urbanos, não aprendemos mais a enxergar, muito menos a entender, como disse o biólogo e escritor moçambicano Mia Couto.

Percorrendo o país, foi possível notar em cada botsuano um quê de alegria e esperança que muito se assemelha ao brasileiro – caso de Dawson Ramsden e Thandi Tsheko, representantes do órgão de turismo e do governo do país, respectivamente, e nossos companheiros ao longo da viagem.

E perceber também que, diante da maior população de elefantes do mundo – o país tem cerca de 80 mil exemplares a mais do que poderia suportar -, da emoção do encontro com o leopardo ou voando de uma área à outra em um apertado teco-teco (oficialmente, um Cessna 206), a vida toda foi posta ao avesso. Bastaram poucos dias para constatar: os ombros ficaram mais leves.

Publicado em: