Pesquisa sobre violência sexual causa indignação nas redes sociais
Uma pesquisa sobre violência sexual contra mulheres divulgada na última quinta-feira (27), pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e SIPS (Sistema de Indicadores de Percepção Social) gerou comoção nas redes sociais, por meio de comentários de internautas. Com frases do tipo “Não mereço ser estuprada” e “Meu corpo é meu”, inúmeras pessoas se manifestaram na rede.

Uma pesquisa sobre violência sexual contra mulheres divulgada na última quinta-feira (27), pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e SIPS (Sistema de Indicadores de Percepção Social) gerou comoção nas redes sociais, por meio de comentários de internautas. Com frases do tipo “Não mereço ser estuprada” e “Meu corpo é meu”, inúmeras pessoas se manifestaram na rede.
Ninguém é obrigado a fazer nada que não queira e através da denúncia outros casos podem ser evitados
Elisabete Bassidelegada
A indignação se deve a pesquisa em que 65% dos entrevistados concordam que as mulheres que usam roupas deixando o corpo à mostra merecem ser estupradas e 58,5% concordam que se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros.
A jovem Natália Fernandes, 22, de Paraibuna, sofreu violência sexual aos 17 anos quando voltava da escola. No momento vestia calça, moletom e tênis. “Eu estava no ponto de ônibus quando ele anunciou um assalto, me levou para um beco e me violentou. Eu não reagi para preservar a minha vida, mas depois disso, tudo mudou, comecei a ter medo e não confiar em ninguém”, relata.
De acordo com a psicóloga Larissa Alves, os transtornos psicológicos podem aparecer logo após a violência ou surgir anos depois. “Sintomas como dificuldade em estabelecer relacionamentos, estresse pós-traumático, transtornos alimentares, ansiedade, disfunções sexuais e uso de drogas são os mais comuns”, ressalta.
A delegada Maria Elisabete Bassi, da Delegacia da Mulher de Pindamonhangaba, acredita no poder das redes sociais para encorajar outras mulheres que sofrem com a violência, inclusive no casamento. “A mulher não tem culpa pela ação do agressor, independente da roupa que esteja usando. Ninguém é obrigado a fazer nada que não queira e através da denúncia outros casos podem ser evitados”, afirma.
Ainda de acordo com a delegada, a vítima deve acionar imediatamente a policia pelo telefone 190. “Os policiais encaminham a vítima para a delegacia, onde será feito o Boletim de Ocorrência. A orientação é de que a vítima não tome banho para ser feita a coleta do material para análise”.
De acordo com dados divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Publica), foram registrados 89 casos de estupro (consumado), entre janeiro e fevereiro de 2014, no Estado de São Paulo, sendo que 49 casos aconteceram nas cidades do interior.











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