Arte e superação: joseense pinta quadros com os pés
Todas as tardes nos fundos de sua casa do bairro dos Alemães, em São José dos Campos, José Marcos dos Santos se prepara para fazer o seu trabalho. Coloca um CD de Etta James ou de outros cantores clássicos do blues americano para começar a pintar um retrato de seu filho, iluminado pela luz natural que vem da janela de seu ateliê.














Todas as tardes nos fundos de sua casa no bairro dos Alemães, em São José dos Campos, José Marcos dos Santos se prepara para fazer o seu trabalho. Coloca um CD de Etta James ou de outros cantores clássicos do blues americano para começar a pintar um retrato de seu filho. O ambinte é iluminado pela luz natural que vem da janela de seu ateliê.
Marcos teve paralisia cerebral no momento de seu nascimento, o que comprometeu sua fala e movimentos de mãos e pés. A parte do corpo que menos afetou sua habilidade motora foi o pé esquerdo e, por isso, tornou-se seu instrumento de trabalho para pintar, desde os 8 anos de idade.
“Não quero falar sobre o meu problema, meu pé é só o meu instrumento de trabalho, o mais importante é a minha arte”, avisa Marcos, 42 anos, com voz comprometida pela deficiência, mas articulada linguisticamente -o que explica a pilha de livros disposta do outro lado do ateliê.
Suas obras são feitas em tinta óleo sobre tela, inspiradas nas cores e traços de Henri Matisse, Vincent Van Gogh e Paul Cézanne, se aproximando mais do impressionismo. Nas telas surgem araras, árvores, Jesus Cristo, mas sobretudo, seus quatro filhos e sua mulher.
O conhecimento em pintura veio principalmente depois de ser escolhido, em 2002, pela APBP (Associação dos Pintores com a Boca e os Pés) e ganhar uma bolsa de estudos. A associação internacional também o auxilia com uma ajuda de custo mensal para fazê-lo a continuar produzindo seus quadros. Em troca, alguns de seus trabalhos são reproduzidos em calendários e cartões de natal.
A ajuda é importante, segundo o pintor, ele também se mantém com a venda de sua arte. Cada quadro seu custa entre R$ 1.300 e R$ 2 mil. Sua maior venda foi de uma tela de R$ 5 mil, uma arara vermelha. Com a APBP, Marcos teve telas expostas em São Paulo, em Buenos Aires e na Suíça.
Capricórnio
Quando o fotógrafo Flávio Pereira pede para tirar fotos de Marcos, o pintor levanta uma barra de madeira com o peito do pé direito, pega um pincel com o dedão do pé esquerdo e mostra sua habilidade com o pincel. Na pele tem tatuada uma cabra, o símbolo de seu signo do zodíaco, capricórnio.
“Igual ao signo, sou uma pessoa que se esforça, que insiste. Se não dá certo, eu tento de novo, insisto, sou paciente, tento de novo até conseguir”, fala enquanto segura o pincel entre os dedos do pé.
Posts Relacionados

Fundação Cultural de São José disponibiliza guia online com programação de setembro

Mário Toledo lança segundo livro como coautor em São Paulo na semana de abertura da Bienal do Livro

Carmo Dalla Vecchia e Vanessa Gerbelli falam sobre a peça “Forever Young” no Meon Entrevista
