Tunga desiste da Bienal, mas faz mostra paralela

O artista pernambucano Tunga, que redefiniu a escultura brasileira com materiais pouco usuais como ímãs e chumbo, recusou o convite da 31.ª Bienal Internacional de São Paulo para participar da exposição que será aberta em setembro. Segundo nota divulgada pela assessoria da mostra, “após diversas conversas, as condições de tempo e espaço não foram suficientes para o desenvolvimento e apresentação do trabalho do artista”.

Escrito por: Antonio Gonçalves Filho3 min de leitura
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Montagem de “Palíndromo Incesto”, de Tunga, na 30 x Bienal de São Paulo

Divulgação/PedroIvoTrasferetti

O artista pernambucano Tunga, que redefiniu a escultura brasileira com materiais pouco usuais como ímãs e chumbo, recusou o convite da 31.ª Bienal Internacional de São Paulo para participar da exposição que será aberta em setembro. Segundo nota divulgada pela assessoria da mostra, “após diversas conversas, as condições de tempo e espaço não foram suficientes para o desenvolvimento e apresentação do trabalho do artista”.

A curadoria lamentou a situação, mas respeitou a decisão do artista, um dos primeiros nomes convidados pela Bienal. A equipe organizadora destacou que Tunga “tem sido importante referência para as pesquisas curatoriais” e espera trabalhar com ele em um futuro próximo.

O artista, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, por telefone, confirmou sua desistência e o motivo apresentado pelos organizadores da Bienal – o espaço insuficiente para a apresentação de sua obra, uma escultura de grandes dimensões que deveria ser instalada entre o piso e o teto de um dos andares do pavilhão da Bienal.

Desde 1981, Tunga já participou de quatro Bienais e duas mostras organizadas pela Fundação Bienal: 16.ª Bienal (1981), 19.ª Bienal (1987), 22.ª Bienal (1994), Brasil Século XX (1994), 24.ª Bienal (1998) e 30 x Bienal (2013).

Em setembro, durante a Bienal, Tunga inaugura uma exposição na Galeria Mendes Wood com obras inéditas em terracota, ferro, gesso, cristais e pérolas. Até o mês passado, a galeria Luhring Augustine de Nova York apresentou uma mostra sua, La Voie Humide (O Caminho Úmido), com esculturas recentes e desenhos que complementam os trabalhos tridimensionais, representando partes do corpo que aparecem e desaparecem com o movimento da linha. A linha, segundo Tunga, funciona como uma espécie de fronteira desse corpo, criando uma narrativa no confronto com outros corpos.

As esculturas na exposição da Luhring Augustine sugeriam pedaços de corpo que se comunicavam com outros fragmentos, levando o espectador a reconstruí-lo. Em entrevista à crítica Mari Carmen Ramírez, que notou certo parentesco entre as peças atuais e uma obra do artista do começo de carreira, Tunga declarou que sua obra mesmo é um corpo que se comunica o tempo todo com fragmentos de seu passado artístico, numa cadeia infindável de linhas que se materializam.

Os desenhos alegóricos da exposição deram origem a essa série de esculturas que, juntas, formam quase uma instalação de caráter teatral sobre a alquimia do corpo humano – o próprio título da exposição de Nova York faz referência a um procedimento alquímico ancestral de transformação da matéria com o uso de materiais orgânicos. Essa transformação do corpo em cristais e vegetais, como parte de uma paisagem sugerida pela dissolução química, era o que interessava a Tunga na mostra nova-iorquina.

O artista terá ainda duas novas exposições este ano: uma que será aberta em outubro, em Paris, e a seguinte em novembro, em Londres.

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