A vida é punk. Celebre-a

De todas as crenças, filosofias e dogmas, eu sempre acreditei 100% em uma: no punk. É uma pena que quando falamos em punk no Brasil, para a maioria a primeira imagem que aparece na mente é de moicanos e violência. Mas existe uma teoria ali, lá na essência, que é o famoso “do it yourself”. Faça você mesmo. O punk pregava isso lá na década de 1970. Com a revolução tecnológica, agora vivemos o período mais punk da história.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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De todas as crenças, filosofias e dogmas, eu sempre acreditei 100% em uma: no punk. É uma pena que quando falamos em punk no Brasil, para a maioria a primeira imagem que aparece na mente é de moicanos e violência. Mas existe uma teoria ali, lá na essência, que é o famoso “do it yourself”. Faça você mesmo. O punk pregava isso lá na década de 1970. Com a revolução tecnológica, agora vivemos o período mais punk da história.

Enquanto escrevo esse arrazoado duvidoso, na TV Cultura passa uma reportagem sobre uma feira de livros em São Paulo somente com editoras independentes. Lotada. Muita gente vendendo, muito mais gente comprando. Gosto desse tipo de gente. É muito difícil ser publicado no Brasil, assim como também é absurdamente complicado ser uma editora. Surpreende ver tanta gente colocando a criatividade, o tempo e a grana em projetos como esse. Faça você mesmo total.

Hoje tenho certeza que uma das primeiras coisas que fez no dia foi olhar suas redes sociais, um mecanismo feito por moleques com espírito punk. Se você gosta de música, é fácil encontrar gente boa que grava e distribui sem o auxílio de qualquer gravadora. Se quiser entrar numas de fazer um filme, é só ter dinheiro para comprar uma câmera razoável, uma boa ideia e muita coragem para colocar as caraminholas na tela. Punk.

Um dos principais redutos das bandas punk existiu em Nova York e chamava-se CBGB. Quem montou a espelunca foi Hilly Kristal, um apaixonado que queria ter um lugar para beber e ouvir bandas que tocassem somente composições próprias. Tocando o bar da maneira mais caótica possível – mas sempre acreditando cada segundo no que estava fazendo – acabou por lançar uma geração de ícones do rock: Ramones, Talking Heads, Elvis Costello, Television, Patti Smith, Sex Pistols, só para ficar em alguns poucos. Entrou para a história do gênero, lugar de quem não tem medo de abraçar o caos and walk on the wild side. Fizeram um filme sobre o CBGB:

Se a vida é punk, nesse fim de semana você tem um bom motivo para celebrá-la. Um dos principais nomes do gênero em português se apresenta no Sesc São José dos Campos, os Inocentes. É no próximo sábado, dia 15, começa as 20h e se você já foi no Sesc sabe que não rolam atrasos. Liderados por Clemente desde 1981, a banda é um ícone do punk brasileiro. Clemente, um lutador, vive de arte e música desde então. E, então, ele escreveu o principal manifesto punk brasileiro. Em 1982 Clemente escreveu, entre outras frases, coisas como essas: “Nós, os punks, estamos movimentando a periferia – que foi traída e esquecida pelo estrelismo dos astros da MPB. Movimentando a periferia, mas não como Sandra de Sá, que agora faz sucesso com uma canção racista e com uma outra que apenas convida o pessoal para dançar: ou, na verdade, o convida para a alienação. Nos nossos shows de punk rock, todos dançam; dançam a dança da guerra, um hino de ódio e de revolta da classe menos privilegiada. Já Guilherme Arantes diz que é feliz, mesmo havendo uma crise lá fora, porque não foi ele quem a fez; nós também não fizemos esta crise, mas somos suas principais vítimas, suas vítimas constantes – e ele não. Nossos astros da MPB estão cada vez mais velhos e cansados, e os novos astros que surgem apenas repetem tudo que já foi feito, tornando a música popular uma música massificante e chata.” Poderia ser hoje. Como poderia ser hoje “Pátria Amada”. Ouça. Veja o show.

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