Ángel Di Maria: o motor da equipe argentina
Já temos mais do que duas horas de jogo rolando, e Ángel Di María não quer saber de parar – de correr e arriscar. Na sobra de um escanteio, com o goleiro suíço Diego Benaglio perdido no ataque após uma tentativa em vão de cabeceio, o meia-atacante avança com a bola, limpa a jogada e, do meio-campo, arremata mais uma vez em direção ao gol. A bola sai por pouco.


Dí Maria decidiu a partida diante da Suiça com o gol na prorrogação
Fifa.com/Divulgação
Já temos mais do que duas horas de jogo rolando, e Ángel Di María não quer saber de parar – de correr e arriscar. Na sobra de um escanteio, com o goleiro suíço Diego Benaglio perdido no ataque após uma tentativa em vão de cabeceio, o meia-atacante avança com a bola, limpa a jogada e, do meio-campo, arremata mais uma vez em direção ao gol. A bola sai por pouco.
Ele não acerta o alvo, mas obviamente isso não importa. Porque o habilidoso e insaciável argentino já havia feito o gol que classificaria a Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, em – mais um! – jogo dramático: 1 a 0, na prorrogação. E também porque há um detalhe que realmente é de tirar o fôlego. O nosso, no caso, porque Di Maria tinha pulmão para arrancar e buscar o gol novamente, mesmo que estivesse em seu campo, com mais de 120 minutos jogados: aquele foi nada menos que o 12º chute em direção ao gol dado pelo camisa 7 – e apenas o segundo que não acertou entre os três paus.
“É um jogador fantástico, sim. Ele corre por todo os lados. Mas é fantástico não só por sua condição física, mas também por sua técnica”, afirma ao Fifa.com o volante Javier Mascherano, que hoje tem Di María como companheiro, mas que, durante boa parte da temporada, como jogador do Barcelona, é um dos que têm de marcá-lo, quando o Real Madrid está do outro lado. “Contra? Difícil, muito difícil… Mas agora estamos lado a lado.”
Protagonismo
Sobre “jogar ao lado” o meia-atacante entende um bocado. Pelo Real, o atleta natural de Rosario está acostumado em ceder os holofotes para o atual Bola de Ouro Fifa, Cristiano Ronaldo. Quando chega a hora de defender a seleção argentina, a honra é escoltar um certo camisa 10. “Nós, que jogamos com Leo, hoje temos muita sorte”, já havia dito Di María durante a semana à Fifa. “Assim como os que conseguiram fazer Maradona jogar seu melhor futebol, hoje temos de fazer o mesmo com Messi.”
Reparem que o astro, alguém com o talento natural para liderar sua própria equipe, não vê problema algum em se colocar como um integrante o elenco de apoio a Messi. E “La Pulga” é um tormento, mesmo. Contra os suíços, a impressão em São Paulo era a de que, a cada vez que tocava na bola, algo grande estava prestes a acontecer. Era como se os adversários apenas pudessem atrapalhá-lo, mas não pará-lo.
No gol de Di María, porém, quem serviu foi o próprio Messi. Recuperada a bola no meio-campo, o 10 foi acionado. Deixou um defensor para trás e tocou para o companheiro. Na medida: um tapa de esquerda, e Benaglio nada pôde fazer, aos 118 minutos. Brilhou a categoria do craque argentino. Quer dizer: de dois craques argentinos.
“São diferenciados, não? É como sempre dizemos: em uma jogada podem definir uma partida”, afirma Mascherano. “Temos a sorte de contar com eles ao nosso lado. Tomara que a equipe consiga seguir dando o respaldo para eles, e que eles possam seguir desequilibrando, neste nível”, continua. Viu como as coisas mudam? Aqui temos outra estrela falando em dar suporte a seus companheiros mais brilhantes – com Di María, aí sim, incluído no grupo.
Para aplaudir
É o tipo de talento que chama a atenção até mesmo dos rivais, como Mascherano bem sabe. Mesmo ainda sofrendo por conta de uma tremenda decepção que veio dos pés de Di María, o jovem atacante suíço Josip Drmic não conseguia esconder sua admiração. “Ele foi sensacional hoje. Sou meio que um fã dele”, diz ao site da Fifa o suíço. “Gosto muito do jeito que ele joga. Mas impressiona, mesmo, especificamente o fato de ele poder dar um sprint daqueles a 120 minutos. Isso é incrível. Hoje ele deixou bem claro o seu nível.”
Como Mascherano afirmou: também não é uma questão apenas de correr, mas sim de como utilizar essas pernas incansáveis. Afinal, lembremos: a finalização que o meia-atacante tentou com mais de 120 minutos, já era sua 12ª no jogo. “Estava com muita vontade de fazer um gol”, disse, ainda na beira do gramado. Não há como questionar isso. “Leo vinha com a bola e é ele quem decide para quem dá-la.”
Messi, outro acostumado a duelar com o compatriota na Espanha, soube bem o que fazer. Uma opção de primeira: tocou para Di María. Para confirmar do jeito mais evidente possível o que Mascherano insiste em lembrar: “De fato é muito mais prazeroso tê-lo ao nosso lado.”
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