Cinemas da RMVale mudam para o digital; distância tecnológica força renovação de salas menores

Os que não são habituados a frequentar o cinema podem não ter percebido, mas a grande maioria das salas de cinema da RMVale estão digitalizadas, ou seja, não utilizam mais os filmes de fita magnética de 35 mm.

Escrito por: Renan Simão4 min de leitura
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Cine Porto, de Ubatuba, digitalizou única sala sem financiamento da Ancine

Reprodução/Facebook

Os que não são habituados a frequentar o cinema podem não ter percebido, mas a grande maioria das salas de cinema da RMVale estão digitalizadas, ou seja, não utilizam mais projeções de filmes de fita magnética de 35 mm.

Desde meados de 2014, a era da exibição digital (3D, Imax, e derivados) chegou para pelo menos dez cinemas da RMVale -três de São José dos Campos, dois de Taubaté, um de Jacareí, um de Guaratinguetá, um de Ubatuba, um de Caraguatatuba e um de São Sebastião, quase todos de redes multiplex dentro de shoppings centers. A Ancine incentiva a mudança e planeja a digitalização de todas as salas brasileiras até o fim do ano.

Até para quem não é cinéfilo, a diferença da projeção é perceptível. Além dos notáveis recursos de sistemas em alta definição e 3D, que variam de sala a sala, o áudio digital do filme não precisa ser compactado -como acontece na fita fotográfica- e o longa-metragem digital pode ser copiado sem perdas de qualidade. O filme em película de 35 mm que chega ao cinema comercial é a terceira ou quarta cópia da original, perdendo resolução de imagem.

A mudança traz menor custo para distribuidoras de filmes, que desde julho, não tem mais obrigação de fornecer filmes em película para as redes de exibição brasileiras. A tendência à digitalização também favorece as grandes redes exibidoras, que gastam menos comprando filmes digitalizados e atraem mais espectadores com a nova tecnologia.

Os que ainda guardam um romantismo quanto ao filme em película podem ir ao Kinoplex do Vale Sul Shopping, em São José dos Campos, o único cinema da RMVale a ainda ter quatro salas com fita de 35 mm. Mas até o fim do ano, todas as salas vão ser digitais, a exemplo de redes como Cinemark (Taubaté, São José e Jacareí), Moviecom (Taubaté), Cineflix (Pindamonhangaba), Cinemais (Guaratinguetá) e Centerplex (Caraguatatuba).

Nanicos
Para os cinemas menores, longe da realidade daqueles do shopping center, a troca do sistema é cara e o retorno aparece somente a longo prazo. Projetor e sistema de som saem por cerca de R$ 120 mil por sala, incluindo o custo mensal de até R$ 3 mil com royalties de software, seguro e manutenção. A implementação do sistema 3D chega a custar R$ 100 mil.

“Temos só uma sala e é totalmente digitalizada, com 3D”, conta Hugo Canterússio, dono do Cine Porto, em Ubatuba, um dos poucos cinemas independentes da RMVale. “Fizemos a mudança no começo do ano, por conta própria. Gastamos R$ 350 mil. Se dependesse do financiamento da Ancine, estaríamos ainda no analógico”.

O financiamento é um convênio entre Ancine (Agência Nacional do Cinema) e BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) que permite o parcelamento do valor da mudança para o digital em 72 vezes e repassa, do distribuidor para o exibidor, o valor economizado na confecção de cópias de longas-metragens em película.

“Não tem jeito, tem mais gente vindo ao cinema agora. E o preço praticamente dobrou por causa do 3D”, conta Hugo. A sala do Cine Porto tem 150 lugares e exibe filmes do circuito comercial.

Outro exemplo é o Cine Santana, em São José. Gerido pela prefeitura, por meio da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), o cinema recebe filmes para fins recreativo-pedagógicos em sessões realizadas com projetor datashow desde 2010.

A assessoria do cinema afirma que “estuda qual o melhor tipo de projetor para ser comprado para o Cine Santana, atendendo as características do espaço, que é diferente das salas comerciais”. O Cine Santana teve seu auge nos anos 1950 e 1960, quando exibia filmes de produções nacionais e internacionais.

Segundo a Ancine, no Brasil cerca de 1,5 mil salas estão se digitalizando via BNDES/Ancine até o primeiro trimestre de 2014, num total de 2.738 salas. Ao menos 900 delas investiram recursos próprios.

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