Colaborativo e independente, Festival da Árvore é marco para a região

Evento reuniu artistas regionais de diferentes vertentes em São José

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Um sonho que se sonha sozinho é só um sonho, já um sonho que se sonha junto… e o resto da frase todo mundo já conhece. Clichê? Sim, pode até ser. Mas fica difícil livrar-se do aforismo para descrever a catarse coletiva que envolveu as cerca de 5 mil pessoas que passaram pelo Festival da Árvore neste domingo (18), no Parque da Cidade, em São José dos Campos.

Fruto de um ideal que há mais de um ano vinha sendo gestado nas aspirações de artistas da cidade, o evento consolidou de vez uma cena cultural que definitivamente não se contenta em sentar e esperar as coisas acontecerem.

Depois de conseguir lotação máxima no Sesc São José em duas edições do projeto Imersão – a primeira em dezembro de 2014 e, a segunda, durante a Virada Cultural Paulista 2015 —, o grupo obteve o aval da Fundação Cultural Cassiano Ricardo para promover um festival independente e pioneiro na cidade.

O resultado foi um festival que reuniu artistas regionais de diferentes vertentes. No palco, Trio José, Salve as Kamadas Líricas, Alarde e Síntese & Projetonave. Já nos palcos alternativos, montados ao longo do parque, bandas como o Fuá Rabecado, Banda do Folclore Joseense Desbocado e Grupo Jongo dividiam espaço com performances de Parkour, dança, entre outras atrações.

“O que está sendo mais incrível é a devolutiva das pessoas. O sentimento é de que todo mundo ficou maravilhado com o que aconteceu. Afinal, há muita demanda reprimida na cidade por cultura autoral. Pra mim, o ensinamento que fica é que quando tem muita gente disposta a fazer junto, a coisa acontece”, explica Dom de Oliveira, um dos organizadores do evento.

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Festival aconteceu no Parque da Cidade

Mariana Araújo/Divulgação

União
A colaboração, aliás, foi o ponto alto da empreitada. Mais de 40 voluntários garantiram que o projeto saísse do papel. O evento não teve fins lucrativos e contou com um pessoal que compensava a falta de experiência na produção com muita vontade de fazer o acontecimento dar certo.

“Se couber, pode colocar aí que a única regra imposta aos voluntários era: se ficar na dúvida quanto ao que fazer, abraça alguém! E, no fim, funcionou. Dissipou a insegurança da galera, já que era a primeira vez de muita gente ali”, lembra Marcelo Lira, que, além de organizador do evento, se apresentou com o grupo Salve as Kamadas Líricas.

De acordo com Lira, o festival ficou marcado pela diversidade cultural e capacidade de mobilização desta nova safra de artistas da região.

“Ver um show de rap ser aberto pro um ciranda. E encerrado com um cortejo de maracatu.  Ver o público em massa seguindo o cortejo e comprando ideias meio malucas que propusemos. E ver que no fim não tinha absolutamente lixo nenhum largado pelo espaço. Isso ficou marcado”, analisa.

Próximos passos
Gabriel Salve, outro membro da Salve as Kamadas Líricas, ainda está recompondo as energias depois do trabalho e envolvimento com o festival. Apesar de estar esperando a poeira baixar, o músico tem certeza de que algo de importante para a cena regional começou neste domingo.

“Usando esta alusão da árvore, para mim o que plantamos neste domingo foi uma semente do que muitas pessoas já vinham sonhando: buscar novas formas de viver, de compartilhar, de dar as caras, de fazer as coisas acontecerem”, diz. “A galera vai cobrar o ano que vem. Precisamos dar continuidade”, completa.

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