Com Messi atrás do título que falta, Argentina encara Islândia na estreia da Copa

Messi não é fã de redes sociais. Só faz o básico. Mas, naquele dia, achou que era hora de dar um recado. Após a vitória sobre a Holanda, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, ele postou a frase: “falta um passo”. Referia-se obviamente à final. O passo não foi dado. Messi caiu e com ele a Argentina. Neste sábado contra a Islândia, às 10 horas…

Escrito por: Conteúdo Estadão4 min de leitura
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Messi não é fã de redes sociais. Só faz o básico. Mas, naquele dia, achou que era hora de dar um recado. Após a vitória sobre a Holanda, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, ele postou a frase: “falta um passo”. Referia-se obviamente à final. O passo não foi dado. Messi caiu e com ele a Argentina. Neste sábado contra a Islândia, às 10 horas (de Brasília), no Spartak Stadium, em Moscou, pelo Grupo D, ele começa a sua caminhada em nova chance para conquistar o Mundial, desta vez na Rússia, o último título que lhe falta. E começa pressionado pelo que viu de seu maior rival, Cristiano Ronaldo – autor de três gols no empate de Portugal com a Espanha por 3 a 3. Neste domingo será a vez de Neymar, outro gigante, no comando do Brasil.

Contra a Islândia, Messi recomeça a sua contagem regressiva. Mesmo diante da fugacidade das redes sociais, em que as mensagens mais recentes soterram as outras, essa postagem do argentino de quatro anos atrás ganhou caráter atemporal. Vale para os dias atuais.

Nas últimas três competições internacionais, o argentino chegou três vezes à final. E perdeu todas (Copa do Mundo de 2014, Copa América de 2015 e Copa América Centenário de 2016). O último desses golpes pegou tão forte que Messi pensou em desistir após ter perdido um pênalti. “Seleção não é para mim”, gaguejou. Depois ele reconsiderou.

É provavelmente a última oportunidade para que o dono de cinco Bolas de Ouro da Fifa não passe em branco com a camisa da Argentina. Não descarta a aposentadoria. “O fato de perdermos três finais nos fez passar por momentos delicados com a imprensa por ela não entender a diferença do que significa chegar a uma final. Não é fácil e precisa ser valorizado”, disse ao jornal catalão Sport. “Não acho que será a última Copa dele”, comentou o técnico Jorge Sampaoli. “Ele está bem, animado para mais um sonho”.

O treinador acha um exagero esse drama por causa do jejum de Messi. Sua frase já ficou célebre. “Não é Messi que deve uma Copa para a Argentina. É o futebol que deve uma Copa a Messi”. Objetivamente, quer dizer que Messi já fez sua parte.

Ungido como o maior de sua geração, ele sempre esbarrou nesse porém, o Mundial. Em 2006 e 2010, só fez um gol. Em 2014, sua melhor Copa, resolveu jogos enjoados, como diante da Suíça em que achou um passe salvador para Di María. Foi até operário, voltando para marcar diante da Bélgica e da Holanda, mas faltou o último passo. Messi não se perdoa por não ter vencido um Mundial.

Ele se sente na obrigação de encerrar o período de 25 anos sem títulos – a última conquista foi a Copa América de 1993. É uma espécie de questão de honra, pois quer tirar das costas o fardo de ser comparado a Maradona, a medida de todas as coisas no futebol argentino, o milongueiro, tudo o que argentino gostaria de ser.

Nessa comparação, Messi sempre perde por causa do Mundial. Fez mais jogos em Copas, tem números mais vistosos, mais títulos nos torneios por times, mas não venceu uma bendita Copa. É um asterisco que faz toda a diferença para o povo argentino. E para ele também. Seria uma acerto de contas com sua história.

Na Rússia, Messi tem parceiros à altura, como Di María e Agüero. Jorge Sampaoli acha que agora dá, apesar dos calafrios das Eliminatórias, quando a equipe se classificou na última rodada. “Conseguimos ajustar conceitualmente algumas coisas”.

O rival deste domingo é a traiçoeira Islândia, destaque das Eliminatórias, que vai jogar fechada, esperando os contra-ataques e apostando no jogo aéreo. É o tipo de jogo bom para Messi tirar um coelho da cartola. Como fez diante da Suíça no Brasil. Ou do Irã. Ou de tantos outros. É o jogo para ele dar o primeiro passo e começar a contar de novo.

FICHA TÉCNICA

ARGENTINA x ISLÂNDIA

ARGENTINA – Caballero; Salvio, Otamendi, Tagliafico e Rojo; Mascherano e Biglia; Meza, Messi e Di María; Agüero. Técnico: Jorge Sampaoli.

ISLÂNDIA – Hannes Halldorsson; Birkir Saevarsson, Kári Arnason, Ragnar Sigurdsson e Hordur Magnusson; Aron Gunnarsson, Gylfi Sigurdsson, Johann Gudmundsson e Birkir Bjarnason; Jon Bödvarsson e Alfred Finnbogason. Técnico: Heimir Hallgrimsson.

ÁRBITRO – Szymon Marciniak (Fifa/Polônia).

HORÁRIO – 10 horas (de Brasília).

LOCAL – Spartak Stadium, em Moscou (Rússia).

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