Contraponto

Incomoda-me o mundo, balizado pela eficiência, pela técnica e pela razão científica. Um dos meus livros prediletos, “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, diz que a alma torna-se superficial frente a um futuro asfixiado pelo condicionamento da alegria, diante de uma vida calculada. Acabo de ler outro clássico de Huxley, “Contraponto”, que também lembra que […]

Escrito por: Meon Redação1 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Incomoda-me o mundo, balizado pela eficiência, pela técnica e pela razão científica. Um dos meus livros prediletos, “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, diz que a alma torna-se superficial frente a um futuro asfixiado pelo condicionamento da alegria, diante de uma vida calculada.

Acabo de ler outro clássico de Huxley, “Contraponto”, que também lembra que adoramos calcular o colesterol de cada alimento, pesquisar parceiros que possam nos dar filhos saudáveis, tomar pílulas que nos deixam felizes, temer o “monstro da informação” que decide tudo sobre nossas vidas, prisioneiros que somos do sucesso fisiológico e da qualidade de vida.

O mote de Aldous, novamente, é a verdade científica como mentira moderna por excelência – essa crença burlesca de que chegaremos à terra prometida. A utopia científica desumaniza as pessoas, deixa a alma seca como caroço, ou como um vaso sem flores, sem sujeiras, de onde nada brota.

Publicado em: