Curiosidade: Argentina conquista classificação no dia da independência do país

A festa dos jogadores argentinos é empolgante. É muito provável que nesse instante inesquecível, com a classificação para a final da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 consumada, ninguém repare o detalhe: a Argentina conseguiu esta façanha no dia 9 de julho, 198 anos depois da declaração de independência do país. Eles certamente jogaram como patriotas, sacrificando bens pessoais em prol de um objetivo maior.

Escrito por: Fifa4 min de leitura
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Argentinos venceram a Holanda nos pênaltis

Getty Images/Fifa.com/Divulgação

A festa dos jogadores argentinos é empolgante. É muito provável que nesse instante inesquecível, com a classificação para a final da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 consumada, ninguém repare o detalhe: a Argentina conseguiu esta façanha no dia 9 de julho, 198 anos depois da declaração de independência do país. Eles certamente jogaram como patriotas, sacrificando bens pessoais em prol de um objetivo maior.

Só assim é possível explicar como Ezequiel Lavezzi jogou como um lateral; ou como Javier Mascherano, depois de correr tanto, ainda teve pernas para evitar um gol de Arjen Robben, aos 44 minutos do segundo tempo, com um carrinho salvador; ou como Sergio Romero defendeu dois pênaltis e não aproveitou para atacar os críticos; ou como Maxi Rodríguez, que foi substituído no intervalo da estreia no Mundial, soube esperar a oportunidade para fazer a diferença no momento decisivo, como naquele gol diante do México em 2006.

“Demonstramos que somos conscientes daquilo que estamos jogando”, diz Mascherano, tão cansado quanto feliz, ao site da Fifa. “Esta equipe substituiu os pulmões pelo coração, mas não se ganha apenas com isso. Fomos inteligentes porque cada um entendeu o que era o melhor para a equipe, e assim fizemos uma ótima partida. Não pudemos fazer gol, mas nos pênaltis o Sergio fez a diferença.”

Romero, com a mesma bola com que defendeu as cobranças de Ron Vlaar e Wesley Sneijder sob os braços, mantém a humildade. “Só tenho palavras de agradecimento aos que hoje me elogiam”, afirma ao Fifa.com o goleiro que manteve a meta intacta pelo terceiro jogo consecutivo, todos no mata-mata. “Nunca me entreguei perante as críticas, ao contrário: elas só me fizeram trabalhar ainda mais. Só posso dizer que estou ajudando meus companheiros, e isso é o mais importante.”

De Lavezzi, ninguém tira o sorriso do rosto. “Embora não tenha sido um jogo brilhante, no geral acho que fomos melhores”, analisa. “A Argentina foi quem propôs o jogo, quem buscou mais o gol, e a Holanda quase nos complicou.” Qual foi o segredo da classificação? “O sacrifício de todos nós. Estivemos juntos, soubemos fazer o que nos convinha, e quase ganhamos o jogo no fim.”

Maxi Rodríguez foi o autor do tento decisivo na decisão por pênaltis. Nesta quarta, ele voltou a atuar, algo que não acontecia desde a estreia, quando foi substituído no intervalo do jogo contra a Bósnia. “Eu sabia que em algum momento ia entrar outra vez, e até ter uma participação importante. O que senti antes de bater o último pênalti? Desde que saí do meio de campo passaram muitas coisas pela minha cabeça, mas agora só uma importa: vamos jogar a final da Copa do Mundo.”

A importância dos sonhos
Muitos dizem que as grandes conquistas surgem nos sonhos. “Sim, desde criança eu sonho com isso, e o que mais posso pedir?”, pergunta Lavezzi, enquanto Maxi traz outra perspectiva. “Não tem preço”, ressalta. “Quando saímos do centro de treinamentos, com Leo e Masche, falávamos em superar as quartas de final, que para muitos era a última oportunidade. Conseguimos o que viemos buscar, que era chegar à final, e agora queremos ganhá-la”. É a quinta vez que a Argentina chega a uma decisão, a primeira após 24 anos, justamente contra o algoz de 1990 e das quartas de final dos Mundiais de 2006 e 2010.

Romero não se assusta com o fato de a adversária ser a mesma Alemanha que massacrou o Brasil. “Vai ser outro jogo, um novo capítulo. Não podemos avaliar por aí”. Maxi concorda com o goleiro. “Eles têm um estilo próprio, sabem bem o que fazer em campo. Mas nós temos de fazer a nossa parte. Com a Holanda fizemos uma ótima partida taticamente, e precisaremos repetir a dose.”

Compartilhando sem saber alguns dos ideais daqueles que declararam a independência argentina em 1816, Mascherano deixa uma mensagem com a marca de sua liderança. “Vamos jogar a partida mais importante de nossas carreiras, mas devemos saber aproveitar esse momento, porque o caminho até chegar aqui foi muito longo, com muitos obstáculos… O presente nos encontra em um momento de felicidade, responsabilidade e expectativa. Tomara que estejamos à altura.”

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