Destaque da Argélia, Medhi Lacen acredita que “vai ter histórias para contar”

Seria falta de respeito superar as proezas dos mais velhos? Esta é a pergunta que agora pode ser feita pela equipe da Argélia que acaba de deixar a Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 nas oitavas de final. Rabah Madjer, Lakhdar Belloumi e Salah Assad são eternos ídolos do futebol argelino, mas eles precisam se render aos fatos: a geração de 2014 os ultrapassou ao alcançar a segunda fase de um Mundial pela primeira vez.

Escrito por: Fifa4 min de leitura
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Medhi Lacen ressalta atuação dos argelinos diante da Alemanha

Getty Images/Fifa.com/Divulgação

Seria falta de respeito superar as proezas dos mais velhos? Esta é a pergunta que agora pode ser feita pela equipe da Argélia que acaba de deixar a Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 nas oitavas de final. Rabah Madjer, Lakhdar Belloumi e Salah Assad são eternos ídolos do futebol argelino, mas eles precisam se render aos fatos: a geração de 2014 os ultrapassou ao alcançar a segunda fase de um Mundial pela primeira vez.

Uma façanha na qual o meio-campista Medhi Lacen ainda tem dificuldades para acreditar, embora desde a histórica classificação no Grupo H tenham se passado quatro dias, o último deles concluído com uma partida heroica diante da Alemanha, perdida na prorrogação. “É difícil nos darmos conta do que realizamos hoje e durante essa Copa do Mundo”, admitiu Lacen em entrevista ao Fifa logo após a derrota por 2 a 1. “O que fizemos apaga um pouco, entre aspas, o que fez a geração de 1982-1986. Conseguimos superá-la. É duro de acreditar.”

De fato, fazia 32 anos que todo jogador da Argélia precisava conviver com a pressão de tentar estar à altura dos heróis da inesquecível vitória sobre a Alemanha Ocidental na Copa de 1982. “Desde que estou na seleção, sempre me falam daquela geração”, confirma o volante do Getafe, que estreou com o uniforme argelino em 2010. “Não era bem uma pressão, mas sempre foi um ponto de comparação. A cada partida, antes de cada torneio, voltam a falar daquela equipe e das suas façanhas, de Madjer, de Belloumi, de Noureddine Kourichi, que aliás estão aqui conosco. Não encaramos isso como um peso, mas é bem verdade que voltava o tempo todo.”

A comparação fica ainda mais difícil de assumir quando os resultados não vêm, como aconteceu com a eliminação precoce no Mundial de 2010 ou na Copa Africana de Nações 2013. “Eu sempre acreditei que chegaríamos lá”, garante Lacen, que hoje não se incomodou em ser comparado a nomes como Sami Khedira, Philipp Lahm ou Bastian Schweinsteiger. “Quando a Argélia foi eliminada da CAN 2013 na fase de grupos, eu já havia dito que estava chegando uma grande geração, na qual há diversos bons e jovens jogadores. Eles chegaram à maturidade no lugar certo e na hora certa. Acho que o futuro da seleção está em boas mãos.”

Belas histórias para contar
Do alto dos seus 30 anos e com a experiência de duas Copas do Mundo no currículo, Lacen talvez seja o homem ideal para acompanhar esses jovens talentos argelinos na sua evolução e nos desafios que terão pela frente. “Precisamos tomar consciência desse potencial”, insiste o volante. “Não foi numa partida e nem por acaso que tivemos boas atuações e resistimos à Alemanha. Acho que já estávamos entre as três melhores seleções do futebol africano há alguns anos e dessa vez comprovamos isso.”

Se alguns hesitam diante das expectativas que vêm com os bons desempenhos, Lacen, por sua vez, está decidido a encará-las com orgulho. “Agora precisamos saber que seremos mais aguardados pelas outras equipes e não ter medo de assumir esse status e esse potencial”, afirma o ex-jogador do Alavés e do Racing Santander, satisfeito em ver que a soma dos talentos argelinos pôde enfim ser aproveitada coletivamente. “Tivemos gerações de bons jogadores com frequência, mas não necessariamente eles sabiam jogar juntos. A chegada do Vahid Halilhodzic mudou isso. Houve bastante melhora desde que pus os pés na seleção, mas o trabalho não acabou.”

O conto de fadas dos Fennecs também não acabou. Lacen espera escrever os novos capítulos dessa aventura para que, um dia, os jogadores da seleção argelina ouçam os elogios da sua segunda geração dourada. “Contaremos a eles que tivemos a sorte de disputar a primeira Copa do Mundo na África, em 2010, que foi um momento histórico, e também uma Copa do Mundo no Brasil, o grande país do futebol, e que conseguimos nos classificar para a segunda fase”, resume ele. “Isso deve render belas histórias para contar…”

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