‘Em Busca de Iara’ resgata a companheira de Lamarca
Ficções, documentários. Flávio Frederico é autor de uma obra pequena, mas importante, que o tem levado a investigar a história recente do País e da cidade. Seu primeiro longa, Urbânia, de 2001, discute a decadência do centro de São Paulo. Apesar de tentativas de reerguimento, a situação só piorou desde então. Vieram depois o longa sobre o…

Ficções, documentários. Flávio Frederico é autor de uma obra pequena, mas importante, que o tem levado a investigar a história recente do País e da cidade. Seu primeiro longa, Urbânia, de 2001, discute a decadência do centro de São Paulo. Apesar de tentativas de reerguimento, a situação só piorou desde então.
Vieram depois o longa sobre o lendário Hiroito – um dos criminosos que fizeram história em São Paulo – e as suas incursões pelo tema da guerrilha.
Com Caparaó, em 2007, ele venceu o É Tudo Verdade. Com Em Busca de Iara, no ano passado, recebeu o prêmio especial do júri na competição brasileira do Festival Internacional de Documentários. Flávio Frederico não tem planos imediatos que seguir contando a história da resistência à ditadura, mas não descarta que no futuro volte ao tema. “Nunca se sabe”, diz. Caparaó começou a nascer em 2003, quando fazia um documentário sobre a Serra da Mantiqueira. Flávio Frederico descobriu que o maciço do Caparaó era considerado o final da serra. Ouviu muitas histórias sobre a guerrilha que ali se instalou, e a gigantesca operação montada pelo Exército para erradicar os guerrilheiros.
Pesquisando sobre o assunto, que conhecia de forma genérica, descobriu que havia pouquíssimo material, em livros e jornais. O documentário nasceu de um duplo desejo – o de informar-se, e o de informar. Garimpando, desencavou documentos inéditos e confidenciais nos antigos arquivos do Dops, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em Busca de Iara não deixa de dar prosseguimento ao tema da guerrilha, mas o envolvimento agora é muito maior. Através de uma investigação pessoal de sua mulher, Mariana Pamplona, o filme resgata a vida da guerrilheira Iara Iavelberg. Mariana é sobrinha da companheira do lendário ex-capitão Carlos Lamarca.
Abandonando uma confortável vida familiar (e burguesa), a garota bela e chique aderiu à luta armada, participando de sequestros e demais ações. Em 1971, sitiada num apartamento em Salvador, teria se suicidado. A versão do suicídio perseguiu a família por décadas. Iara foi enterrada numa ala especial do cemitério israelense de São Paulo. Mariana e Flávio Frederico agora a desmontam. Revisando o óbito assinado pelo legista Charles Pittex e procedendo à exumação e testes de balística, provam que Iara não poderia ter-se dado aquele tiro no peito.
Nós que nos amávamos tanto, Iara e Lamarca. Nós que amávamos a revolução, Iara, Lamarca e toda uma geração de militantes. Embora não seja um grande circuito, a estreia foi projetada para ocorrer o mais próximo possível da data que assinala os 50 anos do golpe militar. Em Busca de Iara soma-se à discussão sobre a herança sinistra da ditadura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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