Experiência do técnico Deschamps é arma da França nesta segunda (30)

A bela campanha da França no Brasil 2014 tem gerado uma onda de entusiasmo no país, mas também algumas interrogações. Afinal, como é possível que, num espaço de poucos meses, os “bleus” tenham deixado de ser uma equipe hesitante para se transformar em uma seleção unida e entrosada, capaz de marcar nada menos que 26 gols em oito jogos desde o primeiro duelo contra a Ucrânia na repescagem das eliminatórias? O divisor de águas que representou aquela partida, a ausência de jogadores temperamentais, o bom preparo físico: diversas explicações foram sugeridas; poucas certezas, encontradas.

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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A bela campanha da França no Brasil 2014 tem gerado uma onda de entusiasmo no país, mas também algumas interrogações. Afinal, como é possível que, num espaço de poucos meses, os “bleus” tenham deixado de ser uma equipe hesitante para se transformar em uma seleção unida e entrosada, capaz de marcar nada menos que 26 gols em oito jogos desde o primeiro duelo contra a Ucrânia na repescagem das eliminatórias? O divisor de águas que representou aquela partida, a ausência de jogadores temperamentais, o bom preparo físico: diversas explicações foram sugeridas; poucas certezas, encontradas.

Talvez tudo isso tenha sido importante, mas um outro fator tampouco pode ser ignorado: o poder motivacional do técnico Didier Deschamps. Na França, todo mundo se lembra de como o então capitão dos “bleus” foi fundamental no intervalo da final da Copa do Mundo de 1998, quando a França vencia por 2 a 0 e ele motivou seus companheiros aos gritos antes de conversar com Zinédine Zidane em um tom muito mais ameno.

Parece que Deschamps continua a empregar essa fórmula vencedora como treinador, utilizando tanto discursos dramáticos quanto tranquilas palavras de encorajamento para tirar o melhor de seus jogadores. E a estratégia tem dado tão certo que ele nem disfarçou seu entusiasmo após garantir a classificação para as oitavas de final com um empate sem gols diante do Equador.

“É uma grande satisfação para mim e para minha comissão técnica”, disse. “Estou orgulhoso do que os jogadores fizeram. Temos que festejar este momento: basta ver os outros jogos para perceber que esta Copa do Mundo está muito difícil. Grandes seleções já foram eliminadas, mas nós ainda estamos aí…”

Nem mesmo a falta de pontaria de seus atacantes no confronto contra os sul-americanos foi capaz de lhe arrancar o sorriso. “Não fomos eficazes, mas criamos várias oportunidades. Fizemos muitos gols nas duas partidas anteriores, isso foi importante. Teria sido melhor continuar assim, mas isso não estraga em nada nossa alegria pela classificação.”

Cabeça no lugar
Uma alegria que poderia se transformar em euforia? Não em uma seleção comandada por Deschamps. Na coletiva de imprensa realizada após a vitória da França sobre Honduras por 3 a 0, o treinador fez questão de alertar sobre a necessidade de não se deixar levar pela empolgação. “Mas até agora não precisei intervir porque não senti nenhum excesso de confiança”, ponderou, antes de acrescentar: “Mas também não podemos perder o ímpeto.” Calmo e ao mesmo tempo vigilante, efusivo e tranquilizador. Esse é o estilo de Deschamps.

Outra estratégia do técnico para manter o alerta ligado é estimular a concorrência entre seus 23 comandados. Isso explica as mudanças realizadas para a partida contra o Equador, em que seis reservas foram a campo. “Estou bastante contente com a atuação deles, embora ache que poderíamos ter jogado de maneira mais coletiva. Mas o que importa é que o máximo de jogadores possível adquira tempo de jogo para manter o ritmo.” Vale lembrar que, em 1998, a seleção francesa também sofreu alterações radicais para o último jogo da fase de grupos.

Nas oitavas de final, cabe aos “bleus” superar a Nigéria, adversária que preocupa Deschamps. “Eles certamente dificultarão nossa vida do ponto de vista físico e contam com atacantes que podem decidir a qualquer momento”, analisou, com o cuidado de não revelar os planos que está preparando para frustrar o voo das Super Águias.
Quando chegou ao Brasil, Deschamps declarou à imprensa que o espírito da equipe e o psicológico dos jogadores seriam fundamentais. “Não é isso que lhe garante a vitória, mas sem isso você não pode vencer.” Com oito gols em três jogos e a primeira colocação do Grupo E, os “bleus” parecem bem da cabeça e ótimos do pé. Mérito do ex-capitão. Mas só a história dirá se este filme terá um final tão feliz quanto o de 1998…

A próxima partida da França é contra a Nigéria na segunda-feira, às 13h, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

*Com informações do site Fifa.com.

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