Grupo Paranga está em livro e filme sobre teatro Lira Paulistana
O famoso teatro do Lira Paulistana já fizera dois anos de resistência contracultural revelando gente como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, Grupo Rumo e companhia, quando, em 1981, sete caipiras de São Luiz do Paraitinga desceram as escadinhas do porão localizado em frente à praça Benedito Calixto, em São Paulo.


Em 1983, o Paranga tocou na festa dos 429 anos de São Paulo, na avenida Paulista
Divulgação/Glória Flügel/site Vanguarda Paulista
O famoso teatro do Lira Paulistana já fizera dois anos de resistência contracultural revelando gente como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, Grupo Rumo e companhia, quando, em 1981, sete caipiras de São Luiz do Paraitinga desceram as escadinhas do porão localizado em frente à praça Benedito Calixto, em São Paulo.
O Grupo Paranga, formado pelos jovens de vinte-e-poucos anos Nena Galvão, Parê, Pena, Pio, Nhô e Negão soltavam os primeiros acordes da música luizense, de Elpídio dos Santos (1909-1970) e companhia, no Lira. Dos sete do Paranga, quatro eram filhos do compositor de “A Dor da Saudade”.
“A gente era tudo cabeludo. As meninas só de cabelo curto. Todo mundo muito colorido, de roupa de chita. As pessoas esperavam o rock and roll e tocamos a música do filme do Mazzaropi. Eles falavam: “o que é que está acontecendo aqui?'”, conta Negão dos Santos, aos risos.
Hoje, aos 55 anos, o líder do Paranga relembra histórias daquela época de Lira Paulistana (de 1979 a 1986), que em 2014 virou o documentário “Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista” e o livro “Lira Paulistana – Um Delírio de Porão” (Natura Musical).
Os projetos foram desenvolvidos por Riba de Castro, um dos sócios do Lira Paulistana naquela época. O cearense presenciou a efervescência do movimento e não coloca os luizenses como meros coadjuvantes da chamada Vanguarda Paulista, movimento cultural de bandas que não tocavam em rádio, mas que eram adorados pelos cadernos de cultura dos jornais da cidade.
“O Paranga é paulistano também, tinha público, lotava os shows. Eles tocavam músicas de compositores de São Luiz, do Elpídio e deles também. Essa música caipira também é de vanguarda por causa da roupagem que o Paranga dava. E nós nunca quisemos ficar presos a quatro, cinco geniozinhos, queríamos uma música qualidade e diferente”, diz Riba.
O produtor cultural contava que havia uma situação engraçada que denunciava um redescobrimento das canções de Elpídio. Os mais entusiastas dos shows perguntavam: “A gente adorou. Mas essa é de vocês ou é do Elpídio?”.
Cachaça
O Paranga fez sucesso entre seus pares mais descolados da cultura paulistana e lançou o primeiro disco “Chora Viola, Canta Coração” (1983) justamente pelo selo Lira Paulistana, que também gravou clássicos como “Beleléu, Leléu, Eu” (1980), de Itamar Assumpção & Banda Isca de Polícia.
Mas as performances dos luizenses também guardavam um sabor especial, acompanhadas de álcool e quitutes. “Nosso show sempre tinha um intervalo. A gente levava a pinga Luizense e o pessoal já voltava mais animado para a segunda parte, dançando as marchinhas. A minha mãe [dona Cinira, mulher de Elpídio dos Santos] fazia uns pastéis maravilhosos também. Todo mundo adorava”, conta Negão.
Deixando de lado “o romantismo que esse passado traz”, Negão afirma que aquele porão dos alternativos de São Paulo impulsionou a carreira do Paranga, os colocou no mercado e possibilitou o início de uma carreira de seis álbuns e quase 40 anos de grupo.
“Olha, posso até sentir o cheiro do Lira ainda hoje. Minha maior lembrança era quando acabava o show e a gente ia para um portão de trás do porão. A gente fazia uma fogueira ali e tocava marchinha. Era um carnaval de São Luiz naquele porão”.
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